Paris, 24 (AE) - Helmuth Kohl encontra-se em situação desesperadora. Trancado em seu orgulho "de homem histórico", empurra para o abismo o tão brilhante partido que foi o CDU, verdadeira espinha dorsal da Alemanha desde o final da guerra (Adenauer, Ehhard, Kiesinger, Kohl).
Além do caso da Alemanha, esse repentino desastre de um homem tão poderoso, admirado e temido como Kohl coloca uma outra questão: o eclipse dos partidos de direita. Um único país "faz o cavaleiro solitário": a Espanha, onde José Maria Aznar (centro-direita) governa sem compartilhar e de maneira eficaz. Em todos os outros lugares, a direita, em geral, e mais particularmente a direita "cristã" guerreia, encontra-se "atrás do muro".
O primeiro país atingido por esse refluxo foi a Itália. A "democracia-cristã" foi ali reduzida há dez anos por meio da operação "mãos limpas". Em seguida, um acontecimento externo deu "o golpe final": a queda do muro de Berlim. É possível descrever o mecanismo assim: enquanto a Guerra Fria ameaçava e um partido comunista forte ficava à espreita, a democracia-cristã formava uma muralha diante do perigo comunista. Mas, desde que o perigo comunista desapareceu, os "democrata-cristãos" perderam sua utilidade. O mesmo processo acontece na Alemanha. Certamente, a destruição da sociedade "cristã-democrata" deu-se mais tarde, dez anos depois, devido à "reunificação" das duas Alemanhas, que somente pôde se realizar com um "homem forte", na figura de Helmuth Kohl.
Mas, uma vez que a Alemanha se livrou de uma só vez do perigo soviético e da Alemanha Oriental, a "democracia-cristã" perde seu papel e a vez dos socialistas volta com Gerhard Schroder.
As duas grandes "democracias-cristãs" desapareceram uma após a outra. Ambas reinaram durante muito tempo, o que sempre favorece a corrupção. E seu desaparecimento deixa, no meio da paisagem, quase o mesmo vazio.
Na França, a democracia-cristã também foi muito presente no período pós-guerra, mas, a partir de 1958, ela teve de ceder lugar ao general De Gaulle. Quando De Gaulle morreu, a "democracia-cristã" tentou reconstituir-se em um partido (UDF)
que vegeta tristemente. De modo que, as três grandes "democracias-cristãs" que modelaram a Europa de direita dissolveram-se. E é preciso observar que a "mística" da Europa
que deu origem a essa extraordinária construção da "União Européia" fora inventada pelos três "democratas cristãos": o alemão Konrad Adenauer, o italiano Aleide de Gasperi e o francês Robert Schumann.
Nos outros Estados europeus, a direita encontra-se também na defensiva. Na Holanda, uma aliança entre liberais e socialistas está em negociação. O mesmo acontece na Bélgica. Evidentemente, na Inglaterra, o fenômeno de erosão do poder foi maior do que em qualquer outro lugar: os conservadores pagaram duramente seus dezoito anos na direção do país e jamais substituíram o grande (e terrível) homem de Estado que foi Margaret Thatcher.
O resultado é que o terreno perdido pela direita cai nas mãos dos socialistas moderados (Blair, Schroder ou Jospin) ou de uma "extrema direita", que é inquietante na áustria e o foi. durante muito tempo, na França, até o ano passado, quando o partido fascista de Jean Marie le Pen começou a se desfazer.
Quanto à direita burguesa, ela não acabou de percorrer as grandes alamedas do Purgatório: na Inglaterra, apesar de alguns erros, Blair exerce um poder sobre os conservadores. Na Alemanha
Gerard Schroder fez tantas besteiras, que ele teria morrido se o escândalo "Helmuth Kohl" não o tivesse salvado "da agonia". Na França, as mediocridades de todas as "direitas" levam a crer que os socialistas ficam lá por muito tempo.
Jamais, então, o socialismo foi mais triunfante do que atualmente, no velho continente (com exceção da Espanha), mas é verdade que os socialismos ali - de Blair, de Schroder e mesmo de Jospin - não têm muita coisa a ver com o de Karl Marx no século passado, ou mesmo com o de seus herdeiros do início do século.

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