Jaime Amorim prevê mais conflitos em todo o País
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sexta-feira, 07 de março de 2003
Agência Estado 
Recife - O líder do Movimentos dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) de Pernambuco, Jaime Amorim, previu ontem a possibilidade de conflitos graves no País decorrentes da luta pela terra e considerou ''normal'' o quebra-quebra ocorrido na quarta-feira, na sede do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), em Cuiabá (MT). Ele anunciou a massificação e multiplicação de ocupações de terra no Estado a partir de abril, além da intensificação de marchas e caminhadas pela reforma agrária.
''Os acampamentos vão se acumular e os latifundiários poderão reagir, vai haver provocação da extrema-direita'', afirmou. Amorim argumentou que o latifúndio - principal adversário do MST - foi o maior beneficiado no governo Fernando Henrique Cardoso através de medidas provisórias que dificultam a reforma agrária, ao lado do Banco da Terra e da reforma agrária via Correios. ''Nos últimos oito anos também ocorreu o desaparecimento de um milhão de pequenas propriedades que foram anexadas a grandes propriedades'', disse ele, citando dados que seriam do Instituto Brasileiro de Geografia e Estastística (IBGE).
Agora, com o novo governo, o líder dos sem-terra acredita que ''a base de proteção do latifúndio será duramente atingida'', o que deverá implicar resistência e reação. Ele disse que além das ocupações e das marchas, o MST deverá atuar em uma terceira frente, a institucional. ''Vamos trabalhar junto ao Parlamento para aprovar um projeto de lei que delimite o tamanho máximo de uma propriedade e que bancos e empresas estrangeiras sem vínculo com a agricultura não possam comprar terra''.


