Brasília, 26 (AE) - O presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho (PA), autor do requerimento da CPI dos Bancos, disse hoje que o presidente Fernando Henrique Cardoso, com quem se reuniu por uma hora, manifestou apoio ao trabalho da comissão. "O presidente não me transmitiu nenhum tipo de preocupação e não fez apelo algum para que eu fizesse alguma interferência; pelo contrário." Segundo Jáder, o presidente pediu que além da investigação a CPI apresente propostas para eliminar qualquer possibilidade de futuros vazamentos de informação no Banco Central, melhorar a fiscalização do órgão e dar maior transparência na atuação da Bolsa de Mercadorias & Futuro.
No PSDB, a expectativa era a de que o presidente Fernando Henrique fosse mais duro na conversa com Jáder Barbalho e cobrasse do PMDB uma postura mais compatível com a condição de aliado. Na sexta (16), o governador tucano Tasso Jereissati (CE) exigiu do PMDB que decida se é governo ou oposição, numa referência à CPI dos Bancos.
Sobre esse assunto, Jáder foi enfático: "Eu deixei de pegar pito quando tinha uns 14 anos", avisou. "Só tratarei com Tasso de questões partidárias quando ele for presidente da República, já que atualmente eu só converso única e exclusivamente com Fernando Henrique", completou.
Segundo Jáder, o País não vai parar por causa das CPIs dos Bancos e do Judiciário. Ele concordou com Fernando Henrique sobre a importância da conclusão das reformas. "São questões fundamentais", avaliou. "Não há necessidade de paralisar o Congresso por causa das CPIs."
Com o secretário Ciência, Tecnologia e Desenvolvimento do governo de São Paulo, José Aníbal (PSDB), o presidente Fernando Henrique também demonstrou interesse na apuração dos trabalhos. "É importante apurar todos os fatos para que não fique nenhum dúvida sobre a mudança do câmbio", comentou José Aníbal. Mesmo assim, o secretário tucano atacou a forma como está sendo conduzida a CPI dos Bancos. "Está voltando a prática da política do lacerdismo, que era feita com escândalos", comentou Aníbal, fazendo uma referência ao ex-governador do antigo Estado da Guanabara, Carlos Lacerda.

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