Jacto quer vender 2 meses de produçao até 10 de maio
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 28 de abril de 1999
Por Kelly Lima 
Ribeirão Preto, SP, 29 (AE) - Com uma estratégia diferenciada de vendas, a Máquinas Agrícolas Jacto pretende alavancar durante a Agrishow99 um volume de unidades comercializadas equivalente a dois meses de faturamento, segundo informou o gerente de marketing da empresa, Luiz Honda. A estratégia é a distribuição de cupons aos clientes, com validade até o dia dez de maio, que reduzem em até 10% o preço de máquinas e implementos e podem ser descontados junto às revendedoras. "O cliente pode negociar melhores preços com as revendedoras", disse Honda que, por conta disso, acredita que a empresa não deverá realizar um elevado volume de negócios durante os seis dias do evento. "Se repetir o faturamento dos dois últimos anos, que equivalem à produção de dois meses da empresa, já estamos satisfeitos", afirmou.
Honda diz que a perspectiva é otimista após a desvalorização do real, apesar de as vendas terem caído uma média de 30% nos três primeiros meses do ano em relação ao mesmo período no ano passado. "A desvalorização salvou a agricultura da catástrofe, já que compensou os baixos preços obtidos pelas commodities agrícolas no mercado internacional e consequentemente evitou que o setor de máquinas e implementos naufragasse junto", afirmou. Por conta da queda nos preços agrícolas, a empresa, que exporta para 60 países, não incrementou suas vendas no comércio exterior. "Nosso principal mercado, o Mercosul, está descapitalizado", disse.
Com produtos sendo testados em quatro cooperativas, a Jacto está investindo este ano em três vertentes da agricultura de precisão. A empresa acredita que o segmento é prioridade para conquistar mercado. O investimento teve início no ano passado com o triciclo para mapeamento e análise da fertilidade de solos
que vem sendo utilizado pelas cooperativas a fim de detectar qual é o fator limitante no cultivo, para então corrigi-lo e atingir produtividade mais elevada.
Na Agrishow, a empresa está lançando o Sensorflow, destinado à citricultura. O equipamento, composto por sensores eletrônicos, é um sistema que permite aplicação de defensivos nos pomares apenas onde há plantas, desligando automaticamente nos espaços vazios. Segundo Honda, numa área de cem hectares, 80% coberta por erva daninha, o produtor chega a economizar até US$ 500 com aplicações. "A expectativa é de que o produto, que deverá ser comercializado na safra 99/2000, chegue de fato o mercado com mais força no próximo ano", disse.
Segundo Honda, a linha destinada ao setor citrícola já foi testada com bons resultados junto a usinas de cana-de-açúcar
reduzindo em até 30% os custos com aplicações de defensivos. No segmento de citrus, a estimativa é que a utilização de herbicidas caia em até 70%. O alto investimento necessário para equipar o cultivo com a precisão de satélites, calculado em média em US$ 20 mil, ainda está dificultando a entrada dos equipamentos no mercado. "Apenas grandes usinas de cana adquiriram o equipamento e é provável que o mesmo aconteça também com a citricultura, mas o mais possível é que a tecnologia ainda fique restrita aos institutos de pesquisa", disse.


