Dili, 11 (AE-AP) A Indonésia parecia neste sábado (11) menos resistente em aceitar o envio de uma força de paz a Timor Leste. Pela primeira vez, o comandante das Forças Armadas indonésias, general Wiranto, disse a uma delegação do Conselho de Segurança das Nações Unidas que recomendará ao presidente B. J. Habibie que considere a intervenção para acalmar os violentos distúrbios no território.
Jacarta está sob forte pressão internacional para que detenha a onda de massacres perpetrada pelos milicianos pró-Jacarta, apoiados por militares indonésios enfurecidos pela maciça votação dos timorenses, no dia 30, pela independência de Timor Leste.
A delegação da ONU que percorreu as ruas de Dili, a capital timorense, viu bairros inteiros destruídos pelos incêndios. Contudo, a destruição parecia ter sido seletiva, pois havia alguns prédios intactos.
O clima era de calma neste sábado em Dili, provando, segundo analistas, que a Indonésia tem condições de controlar a situação, se quiser.
Diplomatas estrangeiros reagiram com reservas às declarações de Wiranto, mas indicaram que elas demonstram que as pressões sobre Jacarta começam a dar frutos.
A crise timorense foi o tema predominante dos contatos iniciais dos líderes que participam da reunião anual da Associação para a Cooperação Econômica ásia-Pacífico (Apec).
O Prêmio Nobel da Paz e líder da resistência no exílio, José Ramos-Horta, exortou Jacarta a aceitar a derrota moral no território e a entregar a destruída região à ONU e o presidente americano, Bill Clinton, suspendeu as vendas de armas à Indonésia para pressioná-la a aceitar a presença da força de paz em Timor Leste.
Clinton anunciou sua decisão horas antes do início da reunião da Apec integrada por 21 países em Auckland, Austrália. Os Estados Unidos já haviam congelado as relações militares com a Indonésia.
Ainda hoje, citando fontes do governo americano, um site na Internet da rede de tevê ABC informou que a Casa Branca está avaliando o envio de suas tropas a Timor Leste como parte de uma força de paz.
Até agora, o governo Clinton havia apoiado a intervenção
mas desprezado o envio de suas tropas alegando que nenhum interesse americano se via ameaçado.
A decisão americana contrasta com a de Londres, que se ofereceu para participar da força de intervenção e até colocou em estado de alerta 250 tropas de guerreiros gurkas nepaleses, mas insiste em continuar vendendo armas a Jacarta.
Em Lisboa, onde foi recebido como um herói, o bispo de Dili, monsenhor Carlos Ximenes Belo, exortou os grupos pró-independência a tomar as armas para defender-se contra os milicianos.
"Às vezes é necessário agir", disse Belo em entrevista ao jornal português Publico.
Relatos assustadores de massacres cometidos por milicianos sob o efeito de drogas são divulgados por funcionários humanitários e da ONU que fugiram de Timor. Isa Bradridge, por exemplo, disse à imprensa australiana que sua mulher viu milhares de cadáveres empilhados na principal delegacia de Dili. "Havia pilhas de cadáveres até o teto, de jovens e velhos, e o sangue escorria pelos corredores", contou o aterrorizado Bradridge.

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