Jacarta, 07 (AE-AP) - O governo da Indonésia libertou nesta terça-feira (07), após seis anos de prisão, o líder da resistência timorense, José Alexandre "Xanana" Gusmão.
Em entrevista coletiva, ele denunciou que as forças de segurança indonésias e suas milícias estavam expulsando toda a população de Timor Leste.
Logo após sua libertação em Jacarta, onde cumpria prisão domiciliar, o líder rebelde, de 53 anos, refugiou-se na Embaixada da Grã-Bretanha na Indonésia.
Emocionado, Xanana, considerado o futuro presidente de um Timor Leste independente, advertiu que herdará um país esvaziado pelo genocídio. "Já não há uma população. O Exército está matando a população e está destruindo e saqueando o país.
"Timor Leste enfrenta uma situação desesperadora. Faço um apelo aos países amigos para que adotem imediatamente as medidas oportunas para nos ajudar e salvar nossas vidas", disse Xanana, que havia sido preso em 1992 e condenado a 20 anos de prisão.
Coincidindo com a libertação de Xanana, o secretário-geral das Nações Unidas, Kofi Annan, advertiu o governo do presidente B. J. Habibie de que se ele não controlar a violência no território em 48 horas, a comunidade internacional tomará as medidas necessárias para conter as milícias pró-Jacarta.
"A atual situação de caos em Timor Leste não pode perdurar", disse Annan ao governo indonésio que hoje decretou a lei marcial no território. Os Estados Unidos, por sua vez, indicaram que se Jacarta não pode frear a violência em Timor Leste deve aceitar o envio de uma força de pacificação internacional a essa província. O presidente norte-americano Bill Clinton discutiu na segunda-feira a situação de Timor com o primeiro-ministro australiano John Howard, que ofereceu enviar tropas de seu país como parte de um contingente internacional de paz.
Fontes norte-americanas e da ONU indicaram hoje que já estão em estado avançado os planos militares para uma intervenção na ex-colônia portuguesa. Além da Austrália, Nova Zelândia, Grã-Bretanha, Malásia e Canadá se comprometeram a participar da coalizão de forças internacionais, que poderia alcançar os 7 mil homens.
Apesar da lei marcial, o Exército indonésio e suas milícias continuavam expulsando sistematicamente a população de Dili e queimando suas casas, segundo denúncias de vários timorenses fugitivos. O comandante de uma milícia pró-Jacarta Herminio da Silva da Costa disse que seus homens estão dispostos "a incendiar tudo" se não houver um novo plebiscito sobre o status do território.
A onda de violência em Timor Leste aumentou drasticamente desde sábado quando a ONU anunciou que 78,5% dos eleitores timorenses haviam votado a favor da independência do território e rejeitado a proposta de ampla autonomia oferecida pelo governo indonésio.
Ainda nesta terça-feira, os milicianos cercaram a sede da Missão da ONU em Timor Leste (Unamet) em Dili, onde se refugiavam mais de 2 mil timorenses e cerca de 200 membros da organização e jornalistas. Eles também atearam fogo a uma garagem onde estavam estacionados cerca de 50 veículos da missão
que ficaram totalmente destruídos.
Dili tornou-se uma cidade fantasma. Todas as linhas telefônicas foram cortadas na capital timorense e uma funcionária do centro indonésio de telecomunicações atribuiu o corte a "um problema técnico". As únicas linhas que ainda funcionavam em Dili eram as pertencentes aos militares, assim como os telefones celulares, segundo um jornalista da agência japonesa Kyodo.
Dois aviões australianos foram enviados à localidade de Baucau
a 115 quilômetros de Dili, para retirar os membros locais e estrangeiros da ONU depois que os milicianos atacaram a tiros o prédio onde eles estavam abrigados. Os milicianos que portavam machetes e armas de fogo, asseguram que a Unamet foi parcial durante o plebiscito da semana passada.

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