Jacarta, 09 (AE-REUTERS) -A Indonésia ameçou levar o líder separatista Xanana Gusmão de volta à prisão se dentro de uma semana ele não se retratar sobre o incentivo à revolta armada.
O ministro da Justiça Muladi deu o ultimato quatro dias depois de Gusmão, que cumpre prisão domiciliar em Jacarta, ter conclamado uma insurreição contra o domínio indonésio no Timor Leste.
"Se ele não fizer uma retratação, nós vamos rever sua posição, o que significa que ele pode voltar para a prisão de Cipinang ou algum outro lugar", disse o ministro à imprensa, depois de um encontro com o presidente B.J. Habibie.
Perguntado se havia um limite de tempo para Gusmão, ele respondeu: "Sim, acho que uma semana a partir de hoje". O ministro indicou que a retratação deve ser firme, de preferência por escrito.
O advogado de Gusmão, Johnson Panjaitan, declarou que a atitude de Gusmão depois do ultimato dependeria do desdobramento da situação, e que o líder rebelde gostaria de se encontrar com Muladi. Segundo ele, Gusmão teria dito que é um simples prisioneiro e que mandá-lo de volta à prisão é direito do Estado, mas Muladi teria de vê-lo antes.
O ultimato chega após o massacre de terça-feira, em Liquisa, no qual, segundo o bispo Carlos Belo, 25 pessoas teriam sido mortas pelas forças pró-Jacarta.
Milícias pró-integração realizaram ontem o primeiro de uma série de comícios programados em resposta ao chamado de Gusmão, considerado por eles como uma "oferta de guerra". Espera-se que mais comícios ocorram no fim de semana.
O porta-voz da milícia Domingos Policarpo disse à Reuters que a liberdade de Gusmão pode não ser mais útil para a paz. Segundo ele, Gusmão deveria retirar o que disse para apaziguar a situação.

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