Lúcio Flávio Moura
De Foz do Iguaçu
Especial para a Folha
O comerciante Nilton Boito, que aparece nas imagens de uma fita escalpelando e decapitando uma onça pintada em uma propriedade vizinha ao Parque Nacional do Iguaçu, disse no final da tarde de anteontem, em depoimento à Polícia Federal, que já encontrou o animal morto quando decidiu extrair sua pele.
De acordo com o comerciante, que, além de responder por crime de caça em unidade de conservação, será indiciado por contrabando e tráfico de pele de animais silvestres, o animal teria sido abatido por um grupo de caçadores dentro da reserva. Ele não soube dizer quem seriam estes caçadores nem o motivo que os teria levado a ‘‘desovar’’ o corpo do felino em sua fazenda, no município de Céu Azul.
Por enquanto, a única prova do envolvimento de Boito com o flagrante efetuado na sexta-feira pela PF na lanchonete da família, situada ao lado do posto de fiscalização da Receita Federal na BR-277, no município de Medianeira, são as imagens da fita encontrada no depósito clandestino de mercadorias contrabandeadas, que os Boito mantinham no local. Nilton Boito aguardará seu julgamento em liberdade.
Maria de Lourdes Locks Boito, 49 anos, e o filho dela, Fabiano Boito (que também aparece na fita), 22 anos, continuam presos em uma cela da Delegacia da PF em Foz. A comerciante já respondia a inquérito por contrabando desde julho, quando havia sido presa pela primeira vez. Os dois estavam no depósito clandestino quando o grupo de 20 agentes invadiu o local na sexta-feira. A pele e a fita foram encontradas em meio a grande quantidade de produtos eletrônicos e de informática contrabandeados de Ciudad del Este (Paraguai).

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