J. Macedo Alimentos S/A desmente fechamento de unidades em SP, PR e SC
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quinta-feira, 13 de abril de 2000
Por Rosangela Capozoli 
São Paulo, 14 (AE)- O diretor geral da J. Macedo, Renato Garcez, desmentiu há pouco à Agência Estado que as unidades de Santa Catarina, Paraná e São Paulo, foram fechadas, conforme afirmou nota distribuída à imprensa, ontem, em Porto Alegre, pelo Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação e Fumo.
Segundo ele, a única unidade desativada foi a do Rio Grande do Sul, que já vinha operando há mais de seis meses com apenas 30% da capacidade instalada, produzindo 1.500 toneladas/mês, suficiente para atender o mercado local, no setor de panificação. Cerca de 40 funcionários foram despedidos. As demais unidades, citadas pelo sindicato, "de fato se encontram à venda".
Garcez afirmou que já existem grupos interessados na aquisição dos moinhos. "Empresas regionais de pequeno porte e interessadas em expandir seus negócios estão visitando as unidades e demonstraram interesse na compra", afirmou. A J.Macedo Alimentos é fabricante da farinha de trigo Dona Benta.
Lapa - A Lapa Alimentos S/A, que congrega as duas divisões: misturas para bolos e gelatinas, em São Paulo, assim como as instaladas no Paraná e Santa Catarina já tiveram suas vendas anunciadas há tempos. O valor da transação, no entanto, não foi divulgado. "Existe a pendência da preservação ou não das marcas Sadia e Dona Benta", afirma Garcez ressaltando que não há interesse da empresa em se desfazer das marcas. A Sadia Concórdia S/A detém 50% das ações da Lapa e o restante pertence a J. Macedo Alimentos S/A.
Com dívida da ordem de R$ 34 milhões a empresa é deficitária desde 1993. Há dois anos fechou o balanço acusando prejuízo de R$ 230 mil. Em 1999 o risco aumentou substancialmente e as perdas alcançaram cifras muito superiores: R$ 17,1 milhões. A Lapa, assim como a Santista, por se tratar de uma empresa diversificada, seus acionistas decidiram por desmembrá-la para agilizar a venda.
Dona de dois moinhos de trigo, um em São Paulo e outro em Santos, é produtora da farinha de trigo que leva a marca Dona Benta. Uma fábrica de massas secas em Itapetininga, no interior do Estado de São Paulo, fabrica a Premiata. As misturas Sadia e Dona Benta e a gelatina Sadia, são produzidas na unidade de São Paulo.
"Até o final de abril estaremos analisando as propostas de compra apresentadas por algumas empresas para negociar as outras partes", informa uma fonte à Agência Estado. Segundo essa fonte, a parte de massas secas está atraindo atenção de vários empresários do setor. A maior dificuldade, confessa, será negociar os moinhos.
A Sadia alega que não pretende desembolsar numa área que não lhe interessa. "Nosso foco está centrado em produtos de maior valor agregado por isso não demos prioridade ao segmento"
afirma Luiz Gonzaga Murat Junior, diretor de finanças e relações com o mercado. No ano passado a empresa obteve um faturamento bruto de R$ 173 milhões, sendo R$ 40 milhões provenientes das linhas de mistura e gelatina.
Fusões e aquisições - A indústria de alimentos que vinha liderando há cinco anos o mercado de fusões e aquisições perdeu o lugar em 1998 para os setores de telecomunicações e computação
caindo para 3ª no ranking no ano passado, registrando 25 negócios. A classificação deverá se repetir em 2000, porém com um grande diferencial, o volume de transação ainda deverá ser superior ao de 1999, por se tratar de um segmento "muito pulverizado".
"O amadurecimento do processo trouxe um inversão na colocação e a curto prazo o setor não deverá reassumir a liderança", afirma André Castello Branco, sócio da KPMG Corporate Finance. Quando se trata de investimento, a indústria alimentícia difere das demais. "Os desembolsos têm sido constantes e sustentáveis todos anos, independente de boom", informa Antônio João Vialle Cordeiro, diretor sócio da Simonsen Associados, atuando há 34 anos no mercado.
Dona do terceiro lugar também em investimentos, a indústria de alimentos tem sido contemplada com cifras elevadas ao longo da década. Pesquisa feita pela Simonsen mostra que há dez anos foram injetados US$ 2 bilhões na área, passando para US$ 15,3 bilhões em 1998, ou seja, alta de 665%. No ano passado o montante somou US$ 4,7 bilhões, que transformados em reais quase empatam. A perspectiva para 2000 é de crescimento mínimo em torno de 15%.


