Bauru, SP, 24 (AE) - O prefeito cassado Antônio Izzo Filho e ex-assessores do seu primeiro governo em Bauru - de 1988 a 92 - foram condenados à perda dos direitos políticos e de transacionar com o poder público, por crime de improbidade administrativa. A sentença, do juiz Mário Camargo Magano, da 4ª Vara Cível, acata a denúncia formulada pela própria prefeitura de que a empresa Saneter - Pavimentação e Obras, contratada em dezembro de 1992 para o transporte de 40 mil metros cúbicos de terra destinados ao combate de uma erosão, não executou os serviços, mas recebeu toda a importância contratada.
A irregularidade foi denunciada no início de 1993 pelo então prefeito Antônio Tidei de Lima (PMDB), que sucedeu Izzo no cargo. Uma sindicância administrativa seguida de laudo de perícia judicial concluiu que o serviço não foi feito porque para executá-lo no período indicado teria que utilizar 22 caminhões e só possuía dois. A remoção da quantidade contratada de terra exigiria 6.549 viagens de caminhão. As apurações ainda revelaram que naqueles dias choveu muito e que a empreiteira, mesmo não possuindo veículos, não provou tê-los contratado de terceiros. Em 1997, de volta à Prefeitura, Izzo Filho abriu nova sindicância, que concluiu pela regularidade do contrato e dos pagamentos, mas isso não o favoreceu na decisão judicial.
Além do prefeito, a pena de improbidade no caso é extensiva ao ex-diretor de obras da prefeitura, José Maria de Oliveira Ribeiro, aos ex-secretários José Roberto Quaggio (Obras) e João Luiz da silva Júnior (Finanças) e, também, ao dono da empreiteira, Benedito Rosa, que, além da negociação, também exerceu o cargo de diretor da COHAB de Bauru no segundo governo de Izzo Filho.
O prefeito cassado está desde maio recolhido em cela especial na cadeia pública de Bauru, por ordem do desembargador Djalma Lofrano, do Tribunal de Justiça do Estado, acusado de ser o mandante de atentados a bombas incendiárias e tiros cometidos contra as casas e veículos de vereadores da oposição e adversários políticos. Ele também responde por extorsão contra empresários de ônibus da cidade.

mockup