São Paulo, 03 (AE) - O vereador José Izar (PFL) não compareceu hoje para prestar depoimento, na Câmara Municipal de São Paulo. O depoimento estava marcado para às 10h30, mas tanto Izar como seu advogado não compareceram à sessão da comissão processante, que avalia as denúncias de suposto favorecimento de Izar em esquemas de propinas na Administração Regional da Lapa. O presidente da comissão, vereador Miguel Colasuonno (PPB), deu um prazo de 48 horas para que o parlamentar se defenda perante a comissão. Caso ele não se manifeste, o relatório final será concluído sem o seu depoimento.
Hoje foram ouvidas as últimas testemunhas do processo que pode cassar o mandato do parlamentar, acusado de comandar, junto com seu irmão Willians Izar, um esquema de cobrança de propinas de comerciantes e ambulantes na região da Lapa. Oficialmente, hoje era último prazo para que ele se defendesse das acusações. "Resolvemos dar mais 48 horas para garantir a ampla defesa", justificou Colasuonno.
Pela manhã, apenas Willians estave no gabinete do vereador. Pelo telefone, Izar disse que estava à disposição para depôr em qualquer momento, mas que deveria ser convocado oficialmente pela comissão. Ontem, o convite para depôr foi entregue no gabinete de Izar no fim da tarde. No documento, ficou registrado que o ofício tinha sido recebido por Willians, que se encarregaria de entregá-lo para o irmão. "É mentira, ele não entregaram nada", disse Willians. O vereador disse que ficou em seu gabinete até por volta das 19 horas e também não foi procurado.
"Convite se faz para casamento ou aniversário", justificou Izar, que reiterou sua inocência perante as denúncias de favorecimento quando controlava politicamente a regional. "Nunca pedi dinheiro para ninguém", disse. "Só que eu quero ser intimado para depôr", insistiu. Os integrantes da comissão sustentam que, por diversas vezes, o vereador e seu advogado não foram localizados para formalizar a convocação. "Ele já estava ciente de que deveria prestar depoimento no momento em que ele e seu advogado, Hermes Paulo Milan, assinaram a procuração para a entrega da defesa prévia, no dia 22 de junho", disse Colasuonno.
Posteriormente, eles foram procurados pelo menos mais seis vezes, no gabinete de Izar e em sua residência. Todas as tentativas foram infrutíferas. "Também tentamos localizar o advogado em seu escritório e na sua residência", disse Colasuonno. Nos dias 16 e 17 de julho, a intimação foi publicada em jornais de grande circulação e no Diário Oficial do Município, como manda a lei. Mesmo assim, Izar não compareceu à comissão, no dia 19. "Eu estava de férias e onde estava não chegava jornal", alegou Izar, à tarde, durante a primeira sessão do semestre, na Câmara.
Nos dois momentos em que esteve rapidamente no plenário, Izar conversou com Colasuonno e Bruno Féder (PTB), que também integra a comissão processante. O diálogo foi nervoso e Izar não estaria gostando da forma que está sendo tratado pelos colegas. No total, a comissão ouviu 13 testemunhas. O relatório final deve estar concluído até o dia 15 de agosto. Posteriormente, será encaminhado ao plenário, que poderá cassar o mandato do vereador.
Colasuonno não quis comentar a atitude do vereador ao faltar no depoimento, mas, segundo integrantes da comissão, a interpretação é que ele estaria sendo mal orientado ao perder a oportunidade de defender-se das acusações.

mockup