São Paulo, 19 (AE) - De férias em lugar ignorado, conforme seu irmão e secretário de gabinete, Willians José Izar, o vereador José Izar (PFL) não compareceu hoje de manhã ao depoimento marcado na Comissão Processante da Câmara Municipal de São Paulo. Ele é acusado de uso da máquina administrativa, concussão e prevaricação. O presidente da comissão, Miguel Colasuonno (PPB), disse que Izar tem até 7 de setembro para defender-se, mas considerou sua ausência "desagradável". "É uma falta de respeito ao cronograma estabelecido". Antes, Izar tinha apresentado por escrito uma defesa prévia de três páginas diante das 5 mil páginas de acusação.
Colasuonno mandou publicar em vários jornais, por dois dias consecutivos, a intimação para que Izar comparecesse. Seu irmão Willians disse que não sabe onde ele está porque o vereador é "um homem solteiro, que não deve explicações". Mesmo assim, justificou sua ausência dizendo que Izar queria aproveitar o recesso parlamentar para suas férias. "Ele procurou os membros da comissão e não obteve resposta sobre sua convocação, por isso viajou". O presidente da comissão classificou a frase de Willians - testemunha ao mesmo tempo de defesa e acusação de Izar -como "mentira".
"O advogado Izar é vereador há dois anos e sabe muito bem que a Comissão Processante não entra em recesso", disse Colasuonno. "Ele me procurou há 15 dias, por telefone, e eu disse a ele que seria chamado a depor". A ausência de Izar pode favorecer a tendência de ele ser um dos vereadores "sacrificados" pelos colegas de situação, para satisfazer as cobranças da opinião pública diante das investigações da máfia dos fiscais. Indiciados - Izar já foi indiciado na polícia por prevaricação, formação de quadrilha, peculato e concussão. A acusação de uso da máquina refere-se a denúncias de uso da Administração Regional da Lapa, que ele controlou por dois anos, para arrecadação de propina e benefícios à candidatura de Willians a deputado estadual. Willians também foi indiciado pela polícia por concussão, peculato e formação de quadrilha. Ele depõe amanhã (20) como testemunha de acusação e, na segunda-feira, como uma das dez testemunhas de defesa.
Outros que devem depor amanhã são o empresário José Rafael Barcha - que declarou ter sido coagido a confeccionar material de campanha para Willians, para conseguir alvará de funcionamento - e o ex-regional da Lapa Gilberto Trama, que acusou Izar de oferecer-lhe vantagens em troca de favores políticos. Como o advogado de Izar também não compareceu hoje à Câmara, a comissão nomeou um advogado dativo, da própria Casa. Entre os outros arrolados como testemunhas de defesa estão os deputados federais Arnaldo Faria de Sá (PPB) e José Índio Ferreira do Nascimento (PMDB) e os deputados estaduais Reynaldo de Barros Filho (PPB) e Conte Lopes (PPB).
Outra testemunha de defesa é José Augusto Fernandes Gomes, o primeiro administrador regional a ser preso no exercício do cargo. Ele foi preso na AR-Moóca em abril por suposta corrupção na AR-Lapa. Solto, ficou de licença até o início do mês. Foi indicado para a Moóca por Toninho Paiva, colega de Izar no PFL, de quem foi tesoureiro de campanha. Paiva é membro da comissão que avalia a cassação de Maeli Vergniano (sem partido).

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