Izar é indiciado em quatro crimes
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terça-feira, 18 de maio de 1999
Por Marcus Lopes 
São Paulo, 19 (AE) - Abatido após ser ouvido pela polícia mais de nove horas ontem à noite, o vereador José Izar (PFL) afirmou que saiu do depoimento de "cabeça erguida", mesmo após ter sido indiciado em quatro crimes: peculato, prevaricação, concussão e formação de quadrilha. "Não há nenhuma prova direta contra mim", disse o vereador, que nega ter se beneficiado de esquemas de propinas na Administração Regional da Lapa, que ele controlava politicamente até o fim do ano passado.
"É muito fácil alguém dizer que pega dinheiro de um e entrega para outro", disse Izar. "Mas quem entregou dinheiro direto para mim?", indaga o vereador. A polícia investiga vários cheques depositados em contas de fiscais que teriam ido para o vereador. Além disso, pelo menos dois empresários da região afirmaram que trataram de irregularidades administrativas de estabelecimentos diretamente com o parlamentar, ou foram coagidos para colaborar para a campanha do irmão de Izar, Willians, candidato a deputado estadual no ano passado.
Em relação às denúncias que envolvem seu irmão, Izar afirmou que "quem tem de responder é meu irmão." "Ninguém falou sobre isso comigo na campanha", disse o vereador. Para resolver problemas de irregularidades administrativas, como a emissão de alvarás de funcionamento, empresários teriam sido coagidos por funcionários da regional a doarem material para a campanha de Willians, no ano passado.
"Acho muito estranho alguém ajudar na campanha e reclamar apenas nove meses depois", rebateu Izar. Mesmo assim, afirmou que não viu nenhuma mentira veiculada na imprensa, sobre as denúncias de irregularidades administrativas na regional da Lapa. "Eu estou processando algum jornal?"
Relações perigosas - Izar admite o relacionamento estreito com o ex-fiscal Gilmar Almeida de Lima. "Ele é meu homem de confiança até que provem o contrário", afirmou. Lima, que foi indicado para a regional da Lapa por Izar, é acusado de ser um dos responsáveis pela cobrança de propinas de comerciantes da região. Um deles é o empresário José Rafael Barcha, que só conseguiu o alvará de sua serigrafia após ter confeccionado material de campanha para Willians Izar.
Outro caso semelhante, citado por Lima em seu depoimento à polícia, foi o de um casal proprietário de uma escola na Lapa, que também tinha problemas na documentação do estabelecimento. Segundo Lima, o casal era conhecido do vereador Izar e a escola só não foi fechada porque os proprietários teriam doado camisetas para o candidato a deputado.
Izar afirmou que não teme eventual desgaste político com as denúncias em torno do seu nome. "Quando provar minha inocência, terei o dobro de votos", afirmou.


