São Paulo, 18 (AE) - O vereador José Izar (PFL) prestou depoimento hoje ao delegado Romeu Tuma Júnior, no Departamento de Investigações e Registros Diversos (Dird).
Suspeito de ser um dos principais beneficiários do suposto esquema de cobrança de propinas na Administração Regional de Lapa, Izar chegou à Polícia Civil às 16h. Até as 22h, o depoimento ainda não havia terminado. Ele deveria ser indiciado por concussão, prevaricação, peculato e formação de quadrilha durante a madrugada.
O esquema na AR-Lapa está sendo investigado há cerca de dois meses. Antes de prestar depoimento a Tuma Júnior, Izar foi ouvido pelo delegado Itagiba Franco, que investiga a Anhembi Turismo e Eventos. O depoimento ao delegado Franco durou cerca de 40 minutos.
Izar explicou o fato de ter trabalhado na Anhembi durante quatro anos como coordenador de eventos, antes de se eleger vereador. A polícia investiga se o vereador era funcionário fantasma.
"Ele disse que ficou lá durante quatro anos e não foi indicado para o cargo", explicou Franco. O delegado perguntou sobre a prima de Izar, Ana Maria Izar Kohle, que está na lista de funcionários da Companhia de Processamento de Dados do Município (Prodam). "Ele negou ter indicado a prima para o cargo."
O inquérito da Lapa deve ser concluído até a próxima semana. Durante as investigações, mais de 20 pessoas foram indiciadas por suspeita de participação no esquema. "Há provas materiais e várias testemunhas", disse Tuma Júnior.
Além de cheques encontrados em contas de fiscais, o delegado aponta sinais de enriquecimento ilícito de funcionários. Entre as testemunhas ouvidas pela polícia, uma das mais importantes foi do empresário Rafael Barcha, dono de uma serigrafia na Lapa. Apesar de atender a todas as exigências da legislação para liberação o alvará de sua empresa, ele teria sido coagido a confeccionar material de campanha para o irmão do vereador, Williams Izar, que foi candidato a deputado estadual no ano passado. Segundo depoimentos de fiscais, o alvará de uma escola só foi liberado após os donos terem cedido material de campanha.
Camelôs - A cobrança de propinas também atingia ambulantes. Um dos esquemas envolvendo fiscais e ambulantes seria referente à venda de Termos de Permissão de Uso (TPUs) falsos. Participariam do esquema o oficial de gabinete da AR-Lapa Carlos Silvano, acusado de ser braço direito do vereador e o ambulante José Vital da Rocha, presidente da Associação de Auxílio Mútuo dos Ambulantes da Zona Oeste de São Paulo. Cada TPU seria vendida por R$ 1 mil.
Hoje, o dono da casa de shows Olympia, cujo nome não foi revelado, depôs. Há a suspeita de um esquema em que fiscais recebiam dinheiro para impedir que ambulantes montassem barracas na frente da casa. "Os fiscais se revezavam a cada show e cada um receberia R$ 50,00", explicou.

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