Rio, 08 (AE) - A cantora e compositora dona Ivone Lara é a segunda homenageada do Troféu Eletrobrás de MPB, que será entregue nesta sexta-feira (12), às 12h30, numa entrevista/show no Teatro Rival, no Rio. Aos 77 anos, a grande dama do Império Serrano, madrinha da ala dos compositores e fundadora da escola de Madureira, na zona norte do Rio, tem muita história para contar, entremeada de seus grandes sucessos como "Sonho Meu", "Acreditar", "Alvorecer" e "Mas Quem Disse que eu Mereço", esta última, número obrigatório em todas as rodas de samba da cidade. "Vou levar meu conjunto para fazer um show bem bonito, promete ela.
As histórias de dona Ivone Lara remontam à década de 30, quando ela era aluna de música de Lucila Guimarães, a primeira mulher de Heitor Villa-Lobos, e encantou o maestro em uma apresentação do coral do colégio onde era interna. "Fiz o solo do Canto do Pajé, ele gostou da minha voz e queria, de todo jeito, que eu estudasse canto lírico", lembra. Não foi possível, mas ela mantém até hoje a voz cristalina.
Foi também enfermeira e assistente social da psiquiatra Nise de Oliveira e sempre usou música no tratamento dos doentes mentais. "Eles melhoravam muito e adoravam as sessões musicais que promovíamos", conta Ivone Lara. Ela mesma chegou a arranhar o cavaquinho, mas nunca no palco. Nem para compor recorre ao instrumento. "Guardo tudo de cabeça", explica. "Hoje em dia, uso gravador, mas antigamente, nem isso".
Essa simplicidade não a impede de ter uma das obras mais vastas entre as poucas compositoras de samba. A ponto de ter perdido a conta de quantas músicas já fez. "Componho desde os 12 anos de idade e sei nem quantas já foram gravadas". Show - O show homenagem a dona Ivone Lara acontece na véspera do carnaval, do qual ela participa ativamente. Sai na Escola de Samba Império Serrano, na ala Destaque da Cidade, depois de ter integrado a ala das baianas por vários anos. "Hoje não posso mais porque a fantasia é muito pesada", diz ela, que está na agremiação do Morro da Serrinha desde o primeiro desfile, em 1947. E será um trunfo para a escola, que tem como enredo "Uma Rua Chamada Brasil", garantir seu lugar no Grupo Especial.
Além da Império, ela sai também na Mangueira, que tem o como enredo "Um Século de Samba" e a convidou para o carro das compositoras. Afinal, a autora de "Cinco Bailes do Rio", considerado o samba-enredo mais bonito já feito, não podia faltar nesta história.

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