Marcos Zanatta
De Maringá
Nos dois últimos anos, a Prefeitura de Maringá está investindo ‘‘pesado’’ na atração de novas empresas e geração de empregos através da iniciativa privada. Além de criar o Programa de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Prodem), que garante terreno, terraplenagem e isenção de tributos, o município conseguiu aprovar a Zona de Processamento Aduaneiro. A ZPA foi criada dentro do Conselho de Desenvolvimento Econômico de Maringá (Codem) e aprovada pelo governo do Estado, que concede prazo de dois anos para o recolhimento de 80% do ICMS das empresas que atuam no mercado externo.
Apenas a ZPA garantiu a instalação de 18 empresas na cidade, algumas que saíram de áreas tradicionais de aduana, como o porto de Santos (SP). Juntas, as empresas estão investindo R$ 160 milhões e vão gerar mais de 2 mil empregos. Quando estiverem em plena operação, até o final de 2000, devem apresentar um faturamento de R$ 1,5 milhão ao ano. As empresas da ZPA estão também reutilizando quase 20 mil metros quadrados de áreas desativadas, e construindo 46 mil metros.
‘‘Setores alegam que incentivos deveriam ir para áreas prioritárias, como saúde e educação. Mas acho que cada real investido na geração de empregos traz mais retorno que R$ 1 milhão no social’’, afirma o prefeito Jairo Gianoto (PSDB). Ele esclarece, no entanto, que não deixa de dar toda atenção à saúde e educação. Na opinião de Gianoto, a geração de empregos acaba reduzindo os bolsões de miséria, com reflexo na administração pública. O desemprego, segundo Gianoto, é o maior mal que existe hoje na sociedade. Ele destaca que todo trabalho realizado em parceria com o Codem, está deixando Maringá em uma ‘‘situação privilegiada’’.
A cidade, segundo dados da Secretaria de Indústria, Comércio, Turismo e Agricultura, confirmados pelo escritório local da Secretaria de Empregos e Relação do Trabalho, tem um índice de desemprego em torno de 2%. Contra a média de 5% na maior parte do País. ‘‘Geramos empregos para mais de 18 mil moradores de pelo menos 12 municípios da região, sem contar Paiçandu e Sarandi’’, revela Gianoto.
O programa de incentivos acabou esgotando os locais para instalação de novas empresas. ‘‘Até os barracões desativados que estavam disponíveis estão sendo aos poucos ocupados’’, revela o prefeito. A secretaria tem ainda 110 empresas ‘‘na fila aguardando uma área para se instalar.
Para atender a ‘‘demanda crescente’’, a prefeitura de Maringá comprou 200 alqueires na zona oeste da cidade, onde será instalada a ‘‘Cidades Industrial de Maringᒒ. Gianoto disse que já investiu R$ 1,3 milhão na área, mas o projeto deve consumir em torno de R$ 8 milhões. ‘‘Quando a área estiver ocupada vai gerar pelo menos 10 mil empregos’’, prevê. ‘‘Mas a prefeitura não está só investindo’’, esclarece.
As empresas da ZPA vão garantir um aumento de 97% no índice de participação do município no ICMS. Além disso, defende o prefeito, a geração de empregos diretos e indiretos é o melhor retorno que uma cidade pode ter. ‘‘Quando o desempregado fica mais de um ano fora do mercado de trabalho, cai no sistema social do município. Isso vira um círculo vicioso’’. A prefeitura investe também em infra-estrutura para atrair empresas, como o novo aeroporto, a maternidade e o Novo Centro.

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