Helicópteros Apache prontos para entrar em ação
Belgrado, 26 (AE-AP) - A aviação da Otan destruiu na madrugada de hoje (26)a última ponte sobre o Danúbio que ligava Belgrado à Europa Central e anunciou que os helicópteros americanos antitanque Apache enviados à Albânia estão prontos para unir-se aos ataques contra a Iugoslávia.
Enquanto isto, autoridades ocidentais citaram comentários críticos de um líder iugoslavo como evidência das primeiras fissuras no regime do presidente Slobodan Milosevic desde o início da campanha aérea da Otan em 24 de março.
Segundo o porta-voz da Otan, Jamie Shea, os 24 helicópteros Apache terminaram de ser deslocados ao norte de Tirana e entrarão em ação quando o comandante das forças da aliança, Wesley Clark, considerar necessário.
Ao mesmo tempo, o Pentágono ordenou o envio de mais 30 aviões de reabastecimento da Força Aérea para os Bálcãs no fim de semana (primeiro grupo do reforço previsto de 300), o que elevará para 650 o total de aviões militares americanos na Operação Força Aliada e deverá forçar a convocação de 33 mil reservistas. Os EUA já têm 5,3 mil militares na Albânia, principalmente para cuidar dos Apaches.
A ponte ferroviária Zezeljev, na cidade de Novi Sad, tinha 466 metros de extensão e já fora alvo de ataques da Otan. A Zezeljev era a última que restara das três travessias sobre o Danúbio em Novi Sad. Belgrado dependia dessa ponte para a ligação por terra
entre outros destinos, com Budapeste.
Na 33ª noite de bombardeios contra a Iugoslávia para tentar forçar Belgrado a pôr fim à "limpeza étnica" em Kosovo e conceder autonomia a essa região de maioria albanesa, a aliança atlântica também atacou o aeroporto de Pristina, capital kosovar
assim como tanques e unidades de artilharia e guerra eletrônica.
Segundo a agência iugoslava Tanjug, pelo menos 17 pessoas - incluindo um bebê de 11 meses e seu pai - morreram nos ataques dessa noite na área de Kursumiljia, no sudeste da Sérvia. Na mesma região, duas pontes de concreto sobre o Rio Toplica foram destruídas.
Um comandante do grupo guerrilheiro Exército de Libertação de Kosovo (ELK), Ramush Hajredina, afirmou que os bombardeios da Otan já causaram "enormes danos" às tropas. Segundo ele, soldados sérvios estão sendo forçados a esconder-se entre os albaneses de Kosovo e a confiar aos paramilitares suas ações armadas na região.
Oficiais ocidentais disseram que há sinais de que a campanha aérea está conseguindo desmoralizar a resistência sérvia. Eles citaram as declarações do vice-premier iugoslavo, Vuk Draskovic, que pediu aos líderes iugoslavos para "pararem de mentir para o povo na Sérvia, e finalmente dizer a ele a verdade".
Draskovic, que já foi o principal líder da oposição antes de unir-se ao governo de Milosevic no ano passado, afirmou que a Sérvia tem sido seriamente enfraquecida pelos bombardeios aliados.
"Eles têm de dizer o que sobrará da Sérvia em 20 dias se os bombardeios continuarem", afirmou Draskovic, dizendo à CNN que a liderança sérvia precisa reconhecer que "não podemos derrotar a Otan" e "devemos respeitar esta realidade".
Em comentários separados a repórteres na noite de hoje, Draskovic disse que seu governo estava pronto para aceitar um acordo de paz que contemple uma presença da ONU que incluiria países da Otan.
Os termos dos aliados para a paz incluem uma força de manutenção da paz, o fim das atrocidades, autonomia para Kosovo e o retorno de todos os refugiados albaneses étnicos.
Enquanto não estava claro se Draskovic estava expressando a opinião de Milosevic, como ele garantiu, autoridades ocidentais citaram seus comentários críticos como uma prova de uma significativa fissura no regime como resultado da campanha aérea da Otan que já dura cinco semanas.
Num reflexo do turbilhão político em Belgrado, Draskovic denunciou que o exército iugoslavo havia assumido o controle da estação de televisão privada de propriedade do partido de Draskovic em Belgrado que trasmitiu suas primeiras declarações críticas ao governo.
Mais tarde, entretanto, a estação retornou à sua programação normal. Representantes da Studio B e outras estações privadas disseram que eles concordaram conjuntamente em transmitir noticiários da televisão estatal por causa dos danos causados à RTS pelos bombardeios da Otan.
Reforçando as versões sobre o suposto desespero das forças sérvias, o Alto Comissariado da ONU para Refugiados (Acnur) informou ter novos relatos do uso de civis como "escudos humanos" em Kosovo. Segundo o porta-voz do Acnur em Genebra, Kris Janowski, refugiados kosovares que chegaram no fim de semana à Albânia disseram que várias mulheres e crianças estão sendo retidas pelos militares iugoslavos num depósito de munição. De acordo com o relato dos refugiados, elas foram separadas de um grupo de 60 homens que cruzou sexta-feira a fronteira com a Albânia.
"Algumas pessoas disseram que essas mulheres e crianças estão detidas num prédio de dois andares em Prizren", disse Janowski. "O térreo é usado para armazenar munição. No primeiro andar estão os quartos para os militares. E o andar mais alto está repleto de reféns." O Acnur informou ainda que está em curso um novo êxodo de albaneses de Kosovo para a cidade fronteiriça macedônia de Brace. Três mil kosovares chegaram hoje à fronteira e mais 30 mil estão a caminho.
Numa decisão que pode diminuir o drama da população de Kosovo, o presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, deu à Cruz Vermelha Internacional garantias de segurança para que ela retome seu trabalho na província.
O anúncio foi feito hoje pelo chefe da instituição, Cornelio Sommaruga, depois de uma reunião com Milosevic. Sommaruga foi o primeiro estrangeiro a receber permissão para visitar os três soldados americanos capturados pelas tropas iugoslavas no 31 de março. Mas ele não pôde vê-los a sós nem fazer uma visita formal
como estabelece a Convenção de Genebra. "Pude cumprimentá-los e falei brevemente com cada um", afirmou, acrescentando esperar que um médico possa examiná-los amanhã.

mockup