Iugoslávia se une contra ataques e pede julgamento de Clinton
Belgrado, 25 (AE-ANSA) - Os bombardeios lançados ontem e hoje (25) pela Otan sobre a Iugoslávia tiveram como primeiro efeito concreto a supressão de todas as diferenças políticas e sociais do nação atingida, que se considera o "único pequeno país que se opõe à nova ordem mundial".
O presidente iugoslavo, Slobodan Milosevic, visto hoje em dia pelos Estados Unidos como o "Saddam Hussein dos Bálcãs"
convocou hoje os dirigentes máximos de seu país para examinar os efeitos "da selvagem agressão contra nossa nação".
Milosevic e seus colaboradores examinaram também as consequências da agressão, destacando que o "exército iugoslavo resistiu ao inimigo com firmeza e com espírito patriótico"
O presidente Milosevic, como comandante-em-chefe das Forças Armadas, congratulou-se hoje com a Aeronáutica, a defesa antiaérea e o III Corpo do Exército, localizado em Nis, a segunda cidade mais importante da Sérvia, com jurisdição sobre a província sulista de Kosovo.
O Estado-maior do Exército informou que as incursões aéreas da noite passada causaram a morte de 10 soldados, 38 feridos e um desaparecido.
As sirenes de alarme antiáreas quebraram ontem o silêncio da noite de Belgrado, e hoje elas foram ouvidas em Pancevo, um centro industrial a 20 km da capital, que também havia sido atacada.
Diante da agressão da Otan, o mundo político iugoslavo condenou unanimamente os ataques.
O vice-presidente sérvio e líder do ultranacionalista Partido Radical, Vojislav Seselj, conclamou os sérvios a atacarem com qualquer meio "os interesses americanos em todo o mundo".
"Qualquer soldado americano, britânico, francês, alemão e holandês é um inimigo e como tal deve ser aniquilado", disse Seselj.
O líder ultranacionalista pediu ao governo federal a ruptura "imediata" das relações diplomáticas com todos os países implicados direta ou indiretamente nos ataques aéreos contra a Iugoslávia.
"O presidente deve propor a criação imediata de um tribunal especial que julgue o presidente americano, Bill Clinton, o primeiro-ministro britânico, Tony Blair, o presidente francês, Jacques Chirac, e o secretário-geral da Otan, Javier Solana, por crimes de guerra", agregou.





