Iugoslávia inicia fase de instrução de processo para julgar soldados dos EUA
Belgrado, 02 (AE-REUTERS) - As autoridades militares iugoslavas iniciaram nesta sexta-feira (02) a fase de instrução do processo para julgar os três soldados americanos capturados na quarta-feira.
Ontem, a Iugoslávia anunciara que eles seriam submetidos hoje a uma corte marcial. "Estamos recolhendo provas e, com base nelas, abriremos um processo penal contra os três militares presos em território iugoslavo", disse Jovica Jovanic, membro do governo provisório sérvio, acrescentando que as autoridades do país devem anunciar novos detalhes sobre o julgamento amanhã.
De acordo com a versão da agência iugoslava Tanjug, os sargentos Andrew Ramírez e Christopher Stone e o cabo Steven Gonzáles foram detidos por militares iugoslavos que patrulhavam a fronteira com a Macedônia. Fontes do Exército iugoslavo explicaram que, ao resistir à prisão, os soldados sofreram as lesões visíveis nas imagens divulgadas pela TV estatal sérvia.
O presidente norte-americano Bill Clinton garante que os três estavam "numa missão de paz destinada a proteger a Macedônia" e "foram sequestrados" por sérvios que invadiram o território macedônio. "O presidente Slobodan Milosevic não pode cometer mais um erro. Os EUA consideram que (os soldados) estão sob a responsabilidade dele."
"Não se preocupem com esses três rapazes", disse à TV France 2 o porta-voz do governo iugoslavo, Milan Kommenic. "Eles estão em lugar seguro, recebem tratamento humano e não serão maltratados." Kommenic acrescentou: "Temos de levar em conta que não se trata de jovens inocentes, mas de militares cumprindo uma missão."
O porta-voz lembrou a vigência do estado de guerra: "Imaginemos que os EUA detivessem três soldados estrangeiros em seu território; será que agiriam de modo diferente do que estamos agindo?"
O embaixador da Suécia em Belgrado, Mats Steffanson, entregou ao governo iugoslavo uma nota do Departamento de Estado norte-americano exigindo a libertação dos soldados.
Por meio da nota, o governo americano qualifica os militares de "prisioneiros de guerra", protegidos pela Convenção de Genebra, e reivindica a permissão para que eles recebam a visita de representantes da Cruz Vermelha Internacional e diplomatas suecos.





