Belgrado, 15 (AE-AP) - Cientistas da Organização das Nações Unidas (ONU) começaram a coletar amostras das águas do Rio Danúbio, hoje (15), para avaliar os danos causados por um derramamento de cianeto na Romênia.
O cianeto, substância altamente tóxica usada para separar o ouro de outros metais no processo de mineração, envenenou o Rio Tisza, atravessando o interior da Hungria e chegando ao Rio Danúbio, na Iugoslávia.
Especialistas sérvios que examinaram a água do Tisza em laboratório, hoje, detectaram concentrações crescentes de ferro e cobre acima do permitido. O ministro do Meio Ambiente da Sérvia, Branislav Blazic, disse temer a existência de "um verdadeiro cemitério" no fundo do Tisza.
O Fundo Mundial para a Natureza, organização não-governamental de proteção à vida selvagem, com sede na Suíça, estima que o vazamento tenha "erradicado, praticamente, todas as formas de vida em um segmento de até 400 quilômetros" do Tisza. A ONG pediu urgência aos governos da Romênia e da Hungria na efetivação de um plano de recuperação dos rios.
Uma delegação de especialistas australianos da companhia Esmeralda Exploration, dona da mina de ouro em Baia Mare, onde ocorreu o vazamento no último dia 30, deveria chegar a Bucareste hoje para iniciar testes.
A companhia nega qualquer responsabilidade pelo acidente e informa que a extensão do desastre foi exagerada. "Sem dúvida foi um acidente sério, mas as proporções foram exageradas completamente pela imprensa de todos os países", disse o diretor de operações da caldeira da mina, Philip Evers.
O governo da Romênia recusou, hoje, demandas da Iugoslávia e da Hungria de compensação pelo acidente, informando que o país também sofreu gravemente com o vazamento.
"A Romênia sofreu os maiores danos causados pela companhia poluidora e, por isso, tem o direito de ser compensada tanto quanto (os outros dois países)", disse o ministro do Meio Ambiente da Romênia, Gabriel Dumitrascu.
Os romenos também acusaram iugoslavos e húngaros de exagerar os males causados pelo cianeto.
O primeiro-ministro da Hungria, Viktor Orban, disse, hoje, que o país irá processar a Esmeralda Exploration pelo vazamento. Ele afirmou que advogados do governo planejam buscar compensação por danos em três frentes legais, duas das quais envolveriam diretamente a companhia australiana.
A outra atacaria a disputa entre Romênia e Hungria. Apesar de a Esmeralda ser responsável pelas operações da mina, a Romênia, como o governo supervisor, também tem culpa no acidente, disse Orban.

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