Anhembi, SP, 30 (AE) - O Instituto de Terras do Estado de São Paulo (Itesp) pode indicar amanhã (31) uma área de 20 hectares para assentar provisoriamente as 1.200 famílias de sem-terra acampados desde o dia 23 acampados na área urbana de Anhembi, a 235 quilômetros de São Paulo. O terreno pertence à Companhia Energética de São Paulo (Cesp) e fica na divisa entre Anhembi e Piracicaba, a cerca de 20 quilômetros da cidade.
Técnicos do instituto vão fazer uma vistoria na gleba amanhã (31) pela manhã. Em seguida, a área será oferecida às lideranças do acampamento. O prefeito espera que a mudança ocorra ainda neste fim de semana. Ele preparava-se hoje para decretar estado de emergência no município quando recebeu o telefonema da coordenadora do Itesp, Tânia Andrade. "Diante disso, resolvi dar mais um tempo para que o governo encontre uma solução."
Cunha disse que, pouco mais de uma semana da chegada dos sem-terra, os serviços públicos entraram em colapso. "Nossa estrutura mal dava para atender os 3.500 habitantes da área urbana." Segundo ele, o setor de assistência social da prefeitura calculou entre 1.500 e 2 mil o número de pessoas no acampamento. As aulas foram suspensas nas escolas do município e o único Centro de Saúde já está sem medicamentos e materiais, pois a demanda triplicou. Os doentes estão sendo encaminhados para o Hospital Regional de Botucatu.
"Estamos também com problemas de saneamento", disse. Há falta de sanitários para atender os acampados e o mau cheiro exala do acampamento. O prefeito disse haver risco de aparecimento de surtos de doenças.
O coordenador estadual do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), João Paulo Rodrigues, disse que as lideranças do acampamento querem conhecer a área a ser vistoriada pelo Itesp. "Precisamos ver se o lugar tem condições para receber as famílias." A principal preocupação é com a água
segundo ele. "Se não tiver água limpa não tem como a gente ir para lá."
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) deve iniciar nesta semana o cadastramento das famílias acampadas em Anhembi. O trabalho será feito mesmo que ocorra a mudança para o terreno da Cesp. Segundo o superintendente adjunto, Moyzés Schenker, o cadastramento é imprescindível para um futuro projeto de assentamento das famílias.

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