Rio, 21 (AE) - Os bancos Itaú e Bradesco devem disputar o Banco do Estado da Bahia (Baneb), que será privatizado amanhã, em leilão marcado para as 10 horas, na Bolsa de Valores do Rio de Janeiro (BVRJ), pelo preço mínimo de R$ 251,9 milhões. Os dois bancos foram os únicos que se qualificaram para disputar o leilão, mas a confirmação do interesse depende do depósito de garantias na Câmara de Liquidação e Custódia (CLC) da BVRJ, até as 18 horas de hoje.
A CLC não informou se houve efetivamente o depósito de garantias, até o fim da tarde. Mas ambos os bancos têm pouca participação no mercado baiano e interessariam-se em ficar com a rede de varejo do Baneb, lembrou o analista Marcelo Bessa, do Banco Brascan, que representou o banco no consórcio responsável pelo processo de venda do banco estatal da Bahia.
"A Bahia tem o quinto PIB (Produto Interno Bruto) do País", lembrou o vice-presidente sênior do Itaú, Henry Peixes, responsável pelas participações da instituição. "A idéia de comprar o Baneb é aumentar a participação no Estado", informou. No entanto, Peixes disse que a confirmação da entrada na disputa só seria confirmada depois de uma última reunião, no fim da tarde.
Segundo o vice-presidente do Itaú, a economia baiana tem boas perspectivas de crescimento, graças ao turismo, ao Pólo Petroquímico de Camaçari, e agora, com a construção de uma fábrica da Ford no Estado. Ele lembrou que o Estado também tem um bom ambiente para os negócios, porque não tem disputas políticas que possam interferir na economia.
O Itaú tem 25 agências na Bahia. Bessa afirmou que o Bradesco tem cerca de 60 agências. O Baneb possui 170 agências - e apenas uma, no Rio de Janeiro, está localizada fora do Estado. O vice-presidente sênior informou que o Baneb possui 400 mil contas. Ele não soube dizer se o Itaú tomará medidas para enxugar o banco estadual, caso vença o leilão. "Ainda avaliamos todo o processo", afirmou.
Bessa informou que o balanço de 1998 do Baneb registrou prejuízo de cerca de R$ 400 milhões, mas este resultado não fornece um bom retrato da situação da instituição. "Foram feitos vários ajustes a mando do Banco Central", explicou. Segundo o analista do Brascan, que liderou o consórcio de preparação da venda, apenas no segundo semestre do ano passado, o lucro do banco que será privatizado amanhã foi de R$ 30 milhões.

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