Itamaraty pedirá ao Congresso verba para o Timor Leste
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Cláudia Dianni 
Brasília, 13 (AE) - O Itamaraty vai enviar ao Congresso, no ano que vem, um pedido de suplementação de verba para o Orçamento do ano 2000, para doar ao Timor Leste. O valor da verba ainda não está definido, mas deverá ser parte dos recursos que o Ministério das Relações Exteriores reserva para o pagamento de contribuições a organismos internacionais.
O Itamaraty espera destinar alguma contribuição desse Orçamento para ajudar na reconstrução do Timor, embora a dívida do Brasil junto a Organização das Nações Unidas (ONU), referente às contribuições anuais, já some cerca de US$ 60 milhões, o equivalente a três anos de contribuição.
De acordo com um relatório do Banco Mundial (Bird), concluído no mês passado, serão necessários US$ 300 milhões, durante os próximos três anos, para financiar a reconstrução de Timor Leste. O estudo diz ainda que a destruição do Timor promovida pela guerra na ilha requer a reconstrução quase total do país. De acordo com o levantamento, feito por especialistas do Bird, o Produto Interno Bruto do Timor (PIB) caiu entre 40% e 45% em 1999 e a renda per capta anual da ilha (de US$ 431 em 1996) é a mais baixa da ásia. Além disso, mais de 30% da população vive abaixo da linha de pobreza, ainda segundo o relatório.
Na próxima sexta-feira e no sábado, representantes dos países que estão ajudando a Administração Temporária da ONU para o Timor, a Untaet, farão uma reunião em Tóquio com o líder do Conselho Nacional de Resistência Timorense (CNRT), José Alexandre Xanana Gusmão, para discutir como serão arrecadados os recursos apontados pelo Banco Mundial.
Alguns países já divulgaram quanto será a sua contribuição. De acordo com fontes ligadas à ONU, Portugal comprometeu-se a doar US$ 6 milhões e a Comunidade Européia, US$ 10 milhões. O Itamaraty ainda não definiu o valor que vai submeter à apreciação do Congresso. O embaixador do Brasil em Tóquio, Fernando Reis, será o diplomata que vai participar do encontro no final desta semana.
O Itamaraty poderá indicar um diplomata brasileiro para chefiar a Secretaria do Conselho Consultivo Nacional. O órgão é coordenado pela Untaet e pelas lideranças timorenses. A criação do órgão foi idéia do brasileiro Sérgio Vieira de Mello, o administrador temporário do Timor, funcionário da ONU. O conselho fará a coordenação política do Timor, para passar o poder da ilha ao poder interno que deverá ser constituído nos próximos anos. Além disso, o Itamaraty deverá convidar timorenses para estudar no Instituto Rio Branco. A idéia do Itamaraty é ajudar na formação do corpo diplomático do Timor Leste.


