Itamaraty nega gafe diplomática em presente dado ao Papa
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quarta-feira, 29 de dezembro de 1999
Por Isabel Braga 
Brasília, 29 (AE) - A assessoria de imprensa do Itamaraty negou hoje que a volta da imagem de SantAna Mestra, oferecida pelo presidente Fernando Henrique Cardoso ao papa João Paulo II na viagem que fez à Itália no mês passado, represente uma gafe diplomática. Segundo explicação dos assessores de imprensa do Itamaraty, quando recebeu o presente, o Papa já sabia que a imagem deveria retornar ao Brasil. "A santa é do Papa e o Vaticano irá decidir qual o melhor lugar para deixá-la, no Brasil", afirmou um assessor do Itamaraty.
Para a assessoria, não é estranho o fato de o presidente Fernando Henrique presentear o Papa com uma santa que - por determinação de lei do patrimônio histórico - deve necessariamente retornar ao Brasil. "Foi apenas um gesto do presidente durante a visita ao Vaticano", comentou o assessor. "O Papa é o santo padre da Igreja Católica Apostólica, que tem igrejas espalhadas por todo o mundo." De acordo com o Itamaraty
como a santa continuará pertencendo à sua Santidade, mesmo depois de retornar ao Brasil, o governo brasileiro não irá enviar outro presente ao papa João Paulo II. A assessoria informou ainda que o cerimonial do Itamaraty enviou ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um fax no dia 9 de novembro comunicando a intenção de dar ao Papa a imagem de SantAna.
No fax, o cerimonial esclarecia ainda que a imagem permaneceria por alguns meses no Vaticano e depois retornaria ao Brasil em cumprimento à Lei 4845, de 19 de novembro de 1965. Esta lei proíbe a saída para o exterior de obras de arte e ofícios produzidos no País até o fim do período monárquico. Mas o artigo 4º da lei abre exceção para a saída, mediante autorização do Iphan, para fins de intercâmbio cultural.
Nem o Iphan, nem o Itamaraty informam por quanto tempo a imagem permanecerá no Vaticano. Segundo a assessoria de imprensa
o Itamaraty aguarda uma resposta do Vaticano, informando por quanto tempo a imagem permanecerá na Itália. "Nós demos o presente e agora não dá para pressionar o Vaticano dizendo que é para retornar em determinado prazo", ponderou um assessor.
A SantAna Mestra foi adquirida pelo cerimonial do Itamaraty em um antiquário de Brasília e custou R$ 2,2 mil. O autor da peça, em madeira, é desconhecido, mas ela foi feita na região de Paracatu, cidade do interior de Minas Gerais, no século XVIII. Ao tomar conhecimento da doação, a prefeitura de Paracatu, cujo prefeito é Almir Paraca (PT), organizou um abaixo assinado para reivindicar a volta da imagem para a cidade. O Palácio do Planalto não se pronunciou sobre o assunto.


