Brasília, 08 (AE) - O secretário-geral do Itamaraty, Seixas Corrêa, chamou, na quarta-feira, o Encarregado de Negócios da Embaixada da China no Brasil, Gao Qexiang, para explicar que o encontro entre o presidente Fernando Henrique Cardoso e o líder espiritual Dalai Lama tinha caráter "privado", não envolvendo assuntos de Estado.
Mesmo assim, fontes do ministério diziam ontem que não seria surpresa se o governo brasileiro recebesse algum tipo de manifestação de desagrado por parte do governo chinês. A assessoria de imprensa da Embaixada disse que o responsável pela área estava em reunião e não foi possível obter informações oficiais até o fechamento do expediente.
O porta-voz do presidente Fernando Henrique Cardoso, embaixador Sérgio Amaral, disse, no final da tarde, que "o governo brasileiro deixou claro que não se tratou de qualquer encontro oficial ou que tivesse qualquer conotação política".
Conforme o embaixador, o encontro foi "pessoal, rápido, com o líder religioso". O Itamaraty, no entanto, teve a preocupação de chamar o Encarregado de Negócios da Embaixada para tentar, antecipadamente, dissuadir qualquer constrangimento da China, que ocupa o Tibet há 50 anos.
Até o final da tarde de hoje, o Itamaraty não havia recebido nenhuma nota do governo chinês, com manifestações acerca do encontro do presidente com Dalai Lama. Para conversar com o líder tibetano, o presidente Fernando Henrique Cardoso tomou o cuidado de dar um caráter informal ao encontro, ocorrido na casa do presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA).
As relações comerciais entre os dois países têm movimentado algo em torno de US$ 2 bilhões anuais. De acordo com o Itamaraty
em 1997, o Brasil exportou para China US$ 1 bilhão e importou mais R$ 1,1 bilhão.
No ano passado, até setembro, o Brasil havia exportado US$ 780 milhões e importado US$ 745 milhões, um balanço parcial favorável ao Brasil. As exportações brasileiras incluem principalmente sementes, soja e alimentos para animais. Já a China exporta para o Brasil máquinas, aparelhos e materiais elétricos, além de caldeiras e químicos orgânicos.

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