Itamaraty espera devolver Iruan à família até sábado
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quinta-feira, 05 de fevereiro de 2004
Agência Estado 
Brasília, DF- O Itamaraty está convencido de que conseguirá devolver o menino Iruan Ergui Wu, de 8 anos, à família brasileira neste sábado à noite. Há quase três anos a avó do garoto, Rosa Leocádia Ergui, moradora de Canoas (RS), tenta trazer o neto de volta de Taiwan, onde ele mora com tio Huer Eam Wu.
Hoje representantes da Justiça de Taiwan e comercial do Brasil em Taipé, o diplomata Paulo Pereira Pinto, irão à casa de Huer Wu resgatar o garoto. Ontem foi o prazo final para Wu entregar o sobrinho, voluntariamente, à Justiça e ao diplomata brasileiro. Ele descumpriu a determinação e fez novas manobras protelatórias para impedir a devolução de Iruan, informou a deputada Maria do Rosário (PT-RS), representante da Comissão Interinstitucional pela Volta de Iruan e presidente da Frente dos Direitos Humanos da Criança e do Adolescente na Câmara.
Segundo a deputada, não há mais qualquer chance de reverter a decisão judicial e se o tio não devolver o menino poderá até ser preso. A assessoria do Itamaraty informa que o ministro Paulo Pinto já está com o passaporte chinês de Iruan e as passagens para sair do país. Como Iruan é menor de idade, o diplomata irá acompanhá-lo na viagem.
Iruan viajou a Taiwam com o pai, o marinheiro chinês Teng Shu Wu. Uma semana após a chegada, o pai morreu e os parentes não quiseram devolver o garoto, que já havia perdido a mãe, uma brasileira, quando tinha dois anos. A avó criava Iruan e seu irmão, seis anos mais velho. Ao saber da morte do marinheiro, a avó começou a batalha para reaver o neto.
A campanha envolveu também gestões diplomáticas. A pedido da comissão interinstitucional, conta a deputada Maria do Rosário, o Itamaraty ameaçou não renovar vistos dos representantes comerciais de Taiwan no Brasil. A comissão também pediu ao governo maior rigor na fiscalização sobre produtos e sobre a presença de navios pesqueiros com origem de Taiwan na costa brasileira.
''O Brasil está defendendo uma criança brasileira'', disse a deputada. Ela reconhece que Iruan pode ter dificuldades de adaptação no Brasil pelo tempo que já passou no exterior. A deputada diz que o menino foi roubado do convívio com os parentes brasileiros e sequer tem noção da luta da avó para trazê-lo de volta. ''No futuro, ele poderá escolher ficar no Brasil ou voltar para Taiwan.''


