Brasília, 11 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), autorizou por escrito a participação de seu coordenador de Política Fundiária, Marcos Helênio Leone Pena, no Fórum União e Estados - Reforma Agrária, Parceria e Empregos, onde está sendo discutida a descentralização da reforma agrária. O representante de Minas entregou ofício assinado por Itamar Franco ao ministro de Política Fundiária, Raul Jungmann, que interpretou o gesto como uma reaproximação do governo de Minas com o governo federal. Marcos Helênio disse que Itamar Franco quer separar o desentendimento político com o presidente Fernando Henrique Cardoso das ações do governo.
Marcos Helênio chegou ao Fórum hoje, na sede da Confederação Nacional da Indústria, em Brasília, com o ofício número 99 em mãos, assinado por Itamar Franco. O coordenador das ações ligadas à reforma agrária em Minas disse ter conversado diretamente com o presidente Itamar Franco, antes de receber o ofício, que já tinha sido enviado para o Ministério de Política Fundiária, na noite de quarta-feira.
Marcos Helênio, no entanto, entregou o documento diretamente ao ministro, ao chegar a Brasília. Na conversa com Itamar Franco
Marcos Helênio disse ter recebido sinal verde para ir a Brasília e colocar as posições do governo de Minas na área da reforma agrária. "O Itamar achou que estas partes administrativas têm que caminhar independente da parte política", disse.
Na avaliação do coordenador mineiro, a moratória da dívida do estado, anunciada pelo governador Itamar Franco, não dificulta os entendimentos e a busca de objetivos conjuntos com o governo federal.
"Em que pese a moratória, temos que trabalhar em parceria com o governo federal", disse. O coordenador afirmou que está disposto a trabalhar em torno do entendimento entre governo de Minas e União. "Estou à disposição de abrir um canal de diálogo com o governo federal", disse.
O governador Itamar Franco disse várias vezes que não tem dinheiro para pagar as dívidas do estado, mas o seu coordenador de Política Fundiária afirmou hoje que o governo de Minas está disposto a injetar dinheiro na reforma agrária, a partir de parcerias como governo federal. O coordenador mineiro acha justo que os estados assumam um pouco dos encargos, para que mais famílias sejam assentadas. "Passar os custos para os estados é exequível. Podemos entrar com terras e recursos humanos", disse. Segundo Marcos Helênio, Minas Gerais tem hoje 11 milhões de hectares de terras devolutas, que foram ocupadas por grandes fazendeiros, mas que o governo está disposto a retomar, o que daria para assentar cerca de 360 mil novas famílias.
O ministro Raul Jungmann se disse honrado em ser escolhido para iniciar o entendimento entre o governo federal e Minas Gerais. "O que desejo é o entendimento entre União e Minas. Ao me entregar este ofício, o senhor me trouxe um presente, que vou guardar", disse Jungmann a Marcos Helênio, no momento em que recebeu o original do documento. Jungmann disse que trabalhou por mais de um ano com Itamar Franco e que gosta muito do ex-presidente.

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