Belo Horizonte, 29 (AE) - Um projeto polêmico do governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), divide a polícia militar e irrita deputados da oposição. Para cumprir uma promessa de campanha - a de anistiar os Pms expulsos da corporação depois do movimento grevista em junho de 1997 -, Itamar encaminhou projeto de lei à Assembléia Legislativa determinando que 185 policiais serão reintegrados a PM e imediatamente reformados. Ou seja: aposentados com salário integral.
"É questão de percepção", justifica-se o governador. "Eu entendo que a volta à tropa poderia trazer problemas." Itamar disse que a decisão de aposentar s policiais visa a protegê-los e a suas famílias. Em entrevista à imprensa, não demonstrou estar preocupado em ser justo com os praças e oficiais que terão de continuar na ativa enquanto os companheiros que lideraram a rebelião de 1997 terão garantido o salário sem trabalho para o resto da vida.
Itamar informou hoje que não vai permitir insubordinação de policiais descontentes com o projeto. "Qualquer manifestação da ativa será punida", disse. Para chegar a fórmula do projeto encaminhado a AL, Itamar disse ter recorrido a casos de perdão registrados na história de Minas e citou o ex-presidente Juscelino Kubischek, que perdoou oficiais das Forças Armadas que participaram de movimento para depô-lo. "De análise em análise
de pensamento em pensamento, entendi que esse é o melhor caminho."
Se para Itamar Franco o projeto é sinônimo de nobreza e justiça, para a oposição a idéia é um absurdo. Líder do PSDB na Assembléia, o deputado Amílcar Martins afirmou que vai acionar o Ministério Público contra a proposta do governador. O deputado ameaçou até a propor uma CPI para investigar o processo de negociação para a anistia dos Pms.
O governador de Minas, que não sabe qual seria o impacto do projeto na folha de pagamentos do Estado, desdenhou as críticas do deputado. "A Assembléia não precisa aprovar o meu projeto se não quiser." O Comando da Polícia Militar de Minas Gerais havia prometido divulgar um comunicado oficial sobre o projeto do governador, mas até o fim da tarde de hoje não houve nenhum pronunciamento ou documento. Dos policiais punidos pela participação na rebelião por aumento de salário, apenas cinco ficaram fora da lista de beneficidados pelo projeto.

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