Itamar reafirma que desvio de rio na região de Furnas é possivel
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quinta-feira, 19 de agosto de 1999
Por Evaldo Magalhães 
Belo Horizonte, 20 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), está mesmo disposto a desviar o Rio Grande, que abastace a represa de Furnas, no Sudoeste do Estado, na hipótese de a empresa ser privatizada. Durante entrevista hoje, na qual anunciou a redução na escala de pagamento ao funcionalismo público do 13º salário de 1998, Itamar voltou a dizer que a mudança no curso do rio, na altura de Capitólio, a 260 quilômetros de Belo Horizonte, é tecnicamente viável.
"O desvio do Rio é possível", disse o governador. Desde que fez a ameaça de alteração no curso das águas, em represália à eventual venda de Furnas, Itamar tem dito que domina o assunto por ser engenheiro e ter trabalhado por muitos anos na região. Mas recusa-se a comentar as consequências da medida sobre a produção de eletricidade da Companhia Energética de Minas (Cemig), cujas hidrelétricas são influenciadas direta ou indiretamente por Furnas, e mesmo sobre o abastecimento de outros Estados.
Informações não confirmadas oficialmente dão conta, no entanto, que ainda no primeiro semestre deste ano o governador recebeu, de técnicos da Cemig, um estudo completo sobre os efeitos que traria o desvio do Rio Grande.
Segundo o tal estudo, caso o dique existente em Capitólio - município que deve sediar o comando da PM de Minas nas manobras militares programadas para a região, em julho - seja destruído, haverá enchentes em parte dos 34 municípios da região, o que significaria um "grande impacto ambiental".
Desta forma, o rio seria desviado para o São Francisco, a 50 quilômetros de distância. O leito do Rio Pium-Í, afluente do Grande, seria usado para condução das águas até o São Francisco. O governador também já teria em mãos um cálculo completo sobre a perda de capacidade de geração da Cemig com o desvio, assim como prejuízos que seriam causados à Companhia Energética de São Paulo, operadora de uma das nove hidrelétricas situadas no Rio Grande.
Diante desses dados, Itamar teria encomendado outro estudo à estatal, para saber como recuperar os megawatts perdidos com a medida.
Hoje, no entanto, o governador não quis comentar o assunto, limitando-se a confirmar a idéia de desvio das águas. Na semana que vem, a Procuradoria-geral do Estado deve entrar, no Supremo Tribunal Federal, com uma ação direta de inconstitucionalidade para tentar barrar a privatização de Furnas.


