Rio, 09 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), disse hoje que tentará barrar na Justiça as privatizações de empresas de energia elétrica em seu Estado e no resto do País. Na próxima semana, ele vai criar uma comissão para estudar ações contra as privatizações da Companhia Energética de Minas Gerais (Cemig) e de estatais de energia no Brasil. Itamar disse que o governo federal só conseguirá leiloar a Cemig se "usar tropas federais". "Mesmo assim, não sei se vão conseguir, porque nós vamos resistir de todas as formas."
Itamar - que manteve a suspensão de pagamento das dívidas do Estado com a União - decidiu que na próxima semana começará a cobrar cerca de R$ 17 bilhões da União, que corresponderiam a dívidas do governo federal com o Estado de Minas.
Ele informou que integrantes de sua equipe devem se reunir na próxima terça-feira com o ministro da Previdência, Waldeck Ornélas, para cobrar parte das dívidas. De acordo com o peemedebista, o vice-governador de Minas, Newton Cardoso, também marcará uma audiência com o ministro dos Transportes, Eliseu Padilha, também com o objetivo de negociar o pagamento de dívidas.
Itamar esteve hoje no Rio para dar uma palestra no Instituto dos Advogados Brasileiros (IAB), no Rio, e usou mais de uma vez o termo resistência e confronto ao falar da guerra política contra a política econômica do governo Fernando Henrique. Segundo ele, os Estados têm direito à "sobrevivência". "Lá em Minas, eu lhe digo com honestidade, só nos obrigarão a privatizar a Cemig com forças federais, assim mesmo terão dificuldade", completou.
Segundo ele, o memorando do acordo assinado entre o governo brasileiro e o Fundo Monetário Internacional (FMI) prevê que até 1999 será completada a privatização das companhias estaduais de distribuição e das empresas federais geradoras de energia e, no ano 2000, será iniciado o processo de desestatização das redes de transmissão.
Ele revelou que a comissão, que será presidida pelo advogado José de Castro, ex-advogado-geral da União quando Itamar era presidente, vai estudar uma forma de impedir a privatização da Cemig e de outras estatais de energia usando como argumento a impossibilidade de se vender, mesmo que indiretamente, rios em seu Estado. "Nós não permitiremos que nossos rios geradores de energia - nós temos três rios que nascem em Minas Gerais (Parnaíba, Rio Grande e São Francisco) - sejam entregues à iniciativa privada."

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