Belo Horizonte, 05 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), passou hoje o dia reunido com secretários preparando-se para a entrevista coletiva de amanhã (06), quando anunciará a suspensão ou não da moratória decretada em 6 de janeiro. De acordo com o secretário da Casa Civil e Comunicação Social, Henrique Hargreves, o governador preparou uma "surpresa".
O vice-governador Newton Cardoso (PMDB), o senador José Alencar (PMDB) e o deputado federal Hélio Costa (PMDB) passaram as últimas semanas tentando dissuadir Itamar da idéia de prorrogar a moratória. Mas nenhum deles garante que o conselho será atendido. Segundo assessores, o governador poderá optar por suspender a moratória com fornecedores mas mantê-la em relação ao governo federal. O Estado tem, de acordo com Secretaria da Fazenda, uma dívida acumulada com empresários de R$ 300 milhões.
A decisão de manter a moratória em relação a União tem, do ponto de vista contábil, pouco efeito prático. Por meio de bloqueios em contas correntes do governo estadual, o governo federal tem garantido o pagamento das parcelas do refinanciamento da dívida mobiliária. Neste caso, a decisão de Itamar seria de significado político, confirmando a posição de confronto em relação ao presidente Fernando Henrique Cardoso.
Até o dia 31 de março, a União havia bloqueado R$ 181 milhões de recusos referentes ao Fundo de Participação dos Estados (FPE)
a Lei Kandir e ao IPI-Exportação que cabiam ao Estado. O dinheiro corresponde às parcelas de janeiro, feveiro e março da dívida e também a parcelas não quitadas de contratos com o Banco Mundial.

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