Belo Horizonte, 10 (AE) - O governador Itamar Franco (PMDB) disse hoje a empresários mineiros, com quem se reuniu, que está disposto a atender às suas reivindicações desde que eles o apoiem na briga com o governo federal. "Quero que eles me apóiem contra política econômica federal", disse. O encontro, que durou cerca de duas horas, tinha como objetivo prestar esclarecimentos aos empresários sobre a moratória mineira. Acabou sendo mais uma oportunidade para Itamar fazer duras críticas à "agiotagem do governo federal".
O governador de Minas disse aos representantes de federações da indústria e do comércio que a recessão não é responsabilidade do governo estadual e avisou que continuará protestando contra a polícia econômica do presidente Fernando Henrique Cardoso. "Mesmo sem apoio dos senhores", ressaltou.
Numa alusão aos números que fecharam sua gestão no Palácio do Planalto, Itamar insinuou que a retomada do crescimento do País só ocorrerá depois do afastamento de Fernando Henrique. "Será que só em 2003 vamos repetir 94?"
Aberta - A reunião com os empresários que deveria ter sido a portas fechadas foi aberta à imprensa por iniciativa do governador. Itamar esperava a presença do presidente da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg), Stefan Salej, que não compareceu. O vice-presidente da Fiemg, Santiago Ballesteros Filho, representou Salej, que viajou para participar de evento promovido pelo Banco Mundial (Bird).
Segundo o presidente da Fiemg, a decretação da moratória comprometeu a imagem do Estado e tem prejudicado o Estado. Salej fez críticas à intransigência de Itamar depois de um encontro com Fernando Henrique e disse que o governador foi longe demais. Sem a presença do presidente da Federação das Indústrias, representantes do empresariado mineiro acabaram discutindo pouco as finanças do Estado e mais o cenário político-econômico nacional - como pretendia Itamar. Para o principal questionamento, sobre a previsão de pagamento aos fornecedores por parte do Estado, saíram sem resposta.
FHC - Itamar Franco afirmou que, caso o Estado volte a ter "diálogo administrativo" com a União, Minas será representada pelo vice-governador, Newton Cardoso, e não por ele próprio. "Hoje, não tenho mais nenhum diálogo de ordem pessoal com o presidente", afirmou. Numa alusão aos números que fecharam sua gestão no Palácio do Planalto, Itamar insinuou que a retomada do crescimento do País só ocorrerá depois do afastamento de Fernando Henrique. "Será que só em 2003 vamos repetir 94?"

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