Brasília, 11 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), pediu hoje, em reunião com a bancada de seu partido na Câmara, que os deputados boicotem a votação do segundo turno da emenda reinstituinte da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF) até que o governo federal desbloqueie os 144,9 milhões de recursos retidos de Minas Gerais pela União. Os recursos estão bloqueados pelo Tesouro desde janeiro, quando o governador declarou moratória à dívida de 3,3 bilhões com o governo federal.
"Se a bancada tiver força para suspender essa votação estaria fazendo um favor para o País, para Minas e para eles mesmos", afirmou Itamar. "Os deputados têm de entender que é só no painel que o presidente vê o parlamentar, depois esquece; já fui presidente e sei disso."
Na saída da reunião, o líder do PMDB, Geddel Vieira Lima (BA), foi categórico ao rejeitar o apelo. "O acordo de aprovar a CPMF até o dia 24 está fechado com o governo federal", afirmou. "O que podemos fazer é discutir sobre alternativas ao impasse em Minas, nada mais."
Interlocutores do governador vêem uma linha tênue segurando o governador Itamar Franco no PMDB. "Se os líderes do partido acharem que eu estou atrapalhando, sigo o meu rumo", afirmou o governador. Segundo deputados que participaram da reunião, o governador não estava à vontade ao lado do líder Geddel Vieira Lima. A desavença entre os dois vem da convenção do PMDB no ano passado quando os dois trocaram acusações em público. "Existe má vontade por parte do líder, que parece mais aberto à negociação por cargos para o partido do que apoiar um verdadeiro líder histórico do PMDB", afirmou um deputado pemedebista que acompanhou a reunião de Itamar Franco com a bancada do partido na Câmara. Segundo o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), apaziguador, o problema não é pessoal entre Itamar e Geddel. "Houve um acordo com o governo e não há como mudar isso e sinto em afirmar que o governador não vai ser atendido", disse.
Itamar, segundo um assessor próximo, saiu da reunião "magoado", com a impressão que não seria atendido pela bancada e que teria o mesmo saldo da reunião com os senadores do partido
há uma semana. "A reunião com os senadores foi infrutífera", sentenciou Itamar. "Espero que não aconteça o mesmo com a de hoje."
Segundo o governador, a intermediação do presidente do partido e senador Jáder Barbalho "não adiantou em nada" para uma conversa das equipes econômicas mineira e federal ou uma reunião do governador com o presidente Fernando Henrique Cardoso. "Falaram que o presidente queria conversar; conversa fiada, senão ele não teria mandado ministros a Minas e sim teria feito um convite formal." O encontro com Itamar reuniu 80% da bancada peemedebista.
ERRO - O governador mineiro considerou um "erro" ter assinado a Carta de Porto Alegre, subscrita pelos sete governadores de oposição há um mês, com uma série de reivindicações ao governo federal. O governador afirmou que não vai participar de fóruns de governadores (há um marcado para o dia 10 de abril em Aracaju (SE) ou de governadores da oposição) Também está marcado um encontro de Itamar com o presidente do PT
deputado José Dirceu (SP) e o presidente de honra, Luiz Inácio Lula da Silva. "Vou recebê-los, eles vêm prestar solidariedade", afirmou.
Quanto à assinatura da carta, o governador disse que "equivocou-se". "Errei porque a primeira cláusula era não negociar com o governo federal se houvesse retaliações e bloqueios; o bloqueio continua em MG e não houve solidariedade"
afirmou. Há dois dias, o governo voltou a bloquear recursos para o Rio Grande do Sul, mas apesar disso a equipe econômica do governador Olívio Dutra (PT) continuou negociando em Brasília.
O governador continuou a criticar a política econômica do governo federal. "Quando convidado para falar em qualquer lugar
serei um peregrino para criticar a política desse homem que governa o País", disse. Para o governador mineiro, o governo federal está "enganhando" o País. "Não mexeram nas taxas de juros, esse acordo com o Fundo Monetário Internacional (FMI) foi uma enganação", disse.

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