Belo Horizonte, 27 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), vai ignorar mais um aceno de paz do presidente Fernando Henrique Cardoso. Itamar disse hoje em entrevista coletiva que não vai acompanhar o governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra, na reunião de terça-feira, porque mantém suas três exigências para a abertura do diálogo: suspensão dos bloqueios, devolução do dinheiro retido e retratação junto aos organismos internacionais. "Sem essas condições, Minas não estará lá".
Itamar adiantou sua decisão de não acompanhar Dutra antes mesmo de ter sido convidado. Seu último contato com o governador do Rio Grande do Sul foi, segundo ele, antes da reunião em Brasília, por telefone.
Apesar de Fernando Henrique ter discutido com os governadores todos os temas reivindicados - como revisão da Lei Kandir e Pacto Federativo - Itamar menosprezou a importância do encontro.
"O problema macro não foi discutido". De acordo com ele, os governadores lá reunidos esqueceram-se da questão mais importante que seria a ordem econõmica injusta monitorizada pelo Fundo Monetário Internacional.
Sobre a avaliação positiva da reunião feita pelos governadores de oposição, Itamar fez comentários irônicos. "Fico contente pelos governadores de oposição que saíram felizes e espero que, como num casamento, a felicidade dure para sempre".
O governador de Minas anunciou que vai adotar uma nova estratégia em relação ao governo federal. Ele afirmou que não ficará mais se lamuriando sobre os bloqueios feitos pela União e que, se não fosse por insistência da Procuradoria do Estado, até desistiria da luta judicial no Supremo Tribunal Federal (STF). "A partir de hoje, os funcionários civis e militares terão conhecimento diário do caixa e da programação de pagamento", explicou. "Vamos fazer uma nova sistematização; faça ele (o presidente) o que bem entender".
Na opinião de Itamar, essa nova estratégia não significa oficializar o isolamento de Minas. "O isolamento só existe na cabeça do presidente daquela Federação", argumentou, referindo às críticas feitas pelo presinte da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fieng), Stefan Salej.

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