Belo Horizonte, 6 (AE) - Um bate-boca com os oficiais da Polícia Militar de Minas Gerais é a última confusão criada pelo governador Itamar Franco (PMDB). Irritado com as acusações de estar fazendo uso político da corporação, Itamar avisou hoje que as manobras militares na região da hidrelétrica Furnas estão confirmadas para outubro, apesar das críticas de alguns.
"A operação está mantida, não para estourar diques, pois consigo isso com alguns engenheiros, mas para mostrar que aqui se trabalha", anunciou o governador. "Nenhum oficial da ativa, seja ele o próprio comandante, venha contestar uma ordem do governador."
Itamar ressaltou que, enquanto estiver governando o estado, será dele o comando da PM e afirmou que poderá usar também a polícia civil nas manobras de outubro.
Contrário à privatização de Furnas Centrais Elétricas, o governador convocou em meados de agosto um exercício militar em Capitólio, onde está uma das reservas. Na ocasião, ele ameaçou usar a polícia militar para impedir a venda da companhia energética e marcou novas manobras dois meses à frente. Itamar ameaçou também desviar o curso dos rios e reduzir o potencial hidrelétrico da usina, caso o governo federal insista na venda para a iniciativa privada.
As críticas ao fato de o governador estar fazendo uso política da Polícia Militar partiram tanto de policiais da ativa quanto da reserva. De acordo com o presidente da Associação dos Praças, Luiz Gonzaga, os policiais militares de Minas só foram informados da operação em Furnas pela imprensa."Se formos para Furnas como policiais estaremos combatendo o quê e por quê?"
Descontentamento - O descontentamento dos militares com os projetos de Itamar vieram à tona na quinta-feira da semana passada, depois que 21 oficiais do alto-comando foram obrigados a participar de uma palestra sobre a importância de Furnas, ministrada pelo secretário de Minas e Energia, Paulino Cícero.
"É lamentável ver aqueles que não têm sentimento nacional e que agem dessa maneira", reclamou Itamar, depois de comentar sobre um oficial da reserva que não quis ouvir a palestra.
Além da insatisfação com a convocação para manobras na região da hidrelétrica, os PMs de Minas estão irritados com a questão salarial. Eles querem um reajuste que varia de 33% a 18%
dependendo da posição na hierarquia. Hoje, o comandante geral da PM, coronel Mauro Lúcio Gontijo, entregou ao governador um documento com as reivindicações.

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