Brasília, 02 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), insinuou hoje que o governo federal teria comercializado ações da Cemig, de forma a beneficiar os bancos Matrix e Opportunity, que eram respectivamente de sociedade do ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros e do ex-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) André Lara Resende. "O banco intermediário nessas operações eram o Banco Matrix e Opportunity; pode ser apenas uma coincidência, mas uma CPI (Comissão Parlamentar de Inquérito) foi aberta na Assembléia mineira para apurar essa coisa curiosa", afirmou Itamar.
O governador mineiro, que foi aclamado hoje como "voz da oposição" por parlamentares oposicionistas, deve enviar os documentos que possam comprovar a denúncia para o líder do PDT na Câmara, Miro Teixeira (RJ). Na reunião com as bancadas oposicionistas na noite de hoje, a assessoria de Itamar aproveitou para distribuir brochuras com 48 páginas, de capa vermelha, com gráficos e cálculos, com o título de "A verdade sobre a moratória mineira".
Ladeado pelo presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP), o governador voltou a falar em fazer "trincheiras" em Minas Gerais. "Lá, ficaremos em nossas trincheiras e, historicamente, nossos vales e montanhas nos permitem fazê-las", disse.
Itamar foi elogiado por todos os parlamentares presentes
algumas vezes de pé. "O governo quer provar que o sr. está isolado, mas é impossível, já que todos aqui estão prontos a ser solidários em qualquer circunstância", afirmou a líder do PSB na Câmara, Luiza Erundina (SP). Para o líder do PT na Câmara, José Genoíno (SP), a oposição tem o "dever público" de solidariedade com Itamar. "Os partidos de oposição pecarão por omissão a causa justa se não o apoiarem", afirmou.
No fim da reunião, o senador Eduardo Suplicy (SP) afirmou que, mais uma vez, tentará encaminhar um pedido para uma reunião da equipe econômica mineira com a equipe econômica do governo federal. Na legislatura passada, o pedido foi feito, mas o presidente do Senado negou, afirmando que Itamar teria de fazer o pedido por escrito.

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