Itamar Franco deve depor no caso da modelo morta
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quinta-feira, 13 de fevereiro de 2003
Leonardo Werner<br> Agência Folha 
Belo Horizonte - O ex-governador de Minas Gerais Itamar Franco deverá ser chamado para depor no Ministério Público sobre o caso da modelo Cristiana Aparecida Ferreira, achada morta em um flat de luxo de Belo Horizonte em 2000. A notícia foi dada no final da manhã de ontem, e foi uma ''sugestão'' do ex-vice de Itamar, Newton Cardoso, que acabara de prestar depoimento sobre o mesmo assunto.
A reportagem não conseguiu localizar o ex-governador mineiro. Itamar foi indicado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva par a Embaixada do Brasil em Roma, mas ainda não assumiu o posto.
''Eu sugeri que o Ministério Público ouvisse o doutor Itamar'', disse Cardoso. ''Ele é a pessoa mais indicada para prestar esclarecimentos, porque até tirou fotografias e trocou beijinhos'', disse.
O ex-vice-governador conversou por quase duas horas com os promotores que investigam o caso desde novembro do ano passado. Na saída, em uma rápida entrevista, disse ser uma ''testemunha fraca'', pois, segundo afirmou, nunca conheceu Cristiana.
''Nunca vi mais gorda. Nem mesmo sei quem é'', disse. Cardoso afirmou ainda que estava fora de Belo Horizonte na época em que o crime foi cometido.
Itamar e Cardoso romperam ligações políticas após as últimas eleições para o governo de Minas. O vice, ao contrário do que esperava, não teve apoio do governador para a disputa, quando teve um desempenho pífio.
Além dele, outras autoridades, como o ministro dos Transportes, Walfrido dos Mares Guia, e o presidente da Companhia Energética de Minas Gerais, Djalma Bastos de Morais, foram ouvidos pelos promotores.
Ambos afirmaram terem falado com Cristiana apenas rapidamente sobre temas de trabalho e que não tiveram relação alguma com o caso. O próprio Ministério Público endossa essa versão.
Para o promotor Francisco de Assis Santiago, o principal suspeito é o ex-namorado da modelo Reinaldo Pacífico, que já teve a prisão temporária decretada, mas está foragido. Ele nega ter matado Cristiana, que, na época, tinha 24 anos.
O caso foi reaberto porque a Promotoria não concordou com inquérito policial que afirmou que a moça havia se suicidado, por ingestão de veneno. De acordo com laudo do perito Roberto Pereira Campos, Cristiana foi agredida e asfixiada.


