Itamar fará auditoria na folha com ajuda do governo
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quinta-feira, 25 de março de 1999
Por Hugo Marques (especial para a AE) 
Brasília, 26 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), vai realizar uma auditoria na folha de pagamentos do Estado, com a ajuda do governo federal, para cortar despesas desnecessárias e levantar recursos com o objetivo de realizar investimentos.
Uma equipe de técnicos da Secretaria de Administração e Patrimônio da Presidência da República está em Minas Gerais desde o início da última semana, instruindo os técnicos do governo do Estado sobre como identificar despesas inúteis - como
por exemplo, o excesso de gratificações ao funcionalismo - e como eliminar eventual prática de corrupção nas contas públicas.
O gesto de Itamar foi bem recebido no Palácio do Planalto, que aposta numa reconciliação do governador mineiro com o governo federal. Mesmo que Itamar e o presidente Fernando Henrique Cardoso não voltem a dialogar, o governo federal aposta num abrandamento das críticas do governador mineiro. O Planalto também espera que Itamar não insista na moratória do pagamento da dívida estadual.
A Secretaria de Administração e Patrimônio enviou os técnicos para repassar experiência sobre moralização e enxugamento da folha de pagamentos. Minas Gerais vinha resistindo em receber a equipe de técnicos federais para evitar qualquer conotação de interferência nas contas. Mas os técnicos da secretaria, que vinham visitando outros Estados, foram instruídos a apenas transmitir conhecimento, sem emitir opiniões que possam ser interpretadas como interferência pelo governador.
A secretária de Administração, Cláudia Costin, disse que o governo federal está fazendo "um trabalho conjunto muito bom" com Minas Gerais, sem entrar em detalhes sobre possíveis resultados que possam surgir da nova parceria da União. Mas a secretária deixou claro quais são os objetivos que o governo federal espera dos Estados que recebem este tipo de auxílio. "Já mandamos a equipe a Minas e eles já treinaram a equipe de auditores do governo para fazer uma auditagem na folha", disse a secretária, lembrando que o governo mineiro se recusou a participar de outras conversas promovidas pela União.
"Na primeira reunião, eles não vieram", disse Cláudia, fazendo referência a um encontro realizado pelo governo federal para discutir o chamado "bug do milênio", a falta de adaptação dos computadores para a passagem do milênio, que, na maioria, não possuem campos de quatro dígitos nos sistemas para a inclusão do ano 2000.
Itamar, no entanto, deu sinais de que pretende administrar o Estado em parceria com a União. Há duas semanas, assinou ofício autorizando representante do governo estadual a participar de reunião para discutir mudanças na reforma agrária.
Se aplicar toda a cartilha dos técnicos da área federal, Itamar poderá economizar entre R$ 20 milhões e R$ 30 milhões por mês nas despesas do Estado, segundo cálculos do governo federal. O último boletim estatístico de pessoal da Secretaria de Administração e Patrimônio mostra que Minas Gerais tem hoje 406 mil servidores públicos ativos e inativos, número que, no País, só fica abaixo de São Paulo, com uma folha de 1,02 milhão de servidores.
Ao contrário de outros grandes Estados, Minas Gerais elevou bastante o comprometimento da receita com a follha de pagamentos. Em 1995, o Estado comprometia 75,3% da receita líquida com pessoal. Este porcentual subiu para 75,1%, em 1996, e para 80% em 1997, o terceiro pior índice do País, perdendo apenas para o Rio Grande do Sul (84,9%) e Piauí (83%). Significa que, de 100 rreais arrecadados pelo governo de Minas Gerais, 80 são gastos com pagamento de servidores ativos e inativos. Sobram apenas 20 reais para despesas e investimentos do governo.


