Itamar enfrenta terceira investigação do MP em apenas um mês
Itamar enfrenta terceira investigação do MP em apenas um mês15/Mar, 17:32 Por Evaldo Magalhães Belo Horizonte, 15 (AE) - O Ministério Público de Minas Gerais abriu hoje o terceiro inquérito em 30 dias para investigar denúncias de irregularidades no governo Itamar Franco relativas à contratação de serviços e a gastos com publicidade. A investigação, como das outras vezes, foi motivada por representações de deputados estaduais de oposição. Eles acusam a diretoria da Fundação Hospitalar do Estado (Fhemig) de fazer licitação com "carta marcada" - ou seja, com o vencedor previamente definido -, para a escolha da empresa que faria a lavagem de roupas de 16 hospitais ligados à instituição. O contrato, de R$ 14 milhões e com duração de 60 meses, foi assinado na semana passada com a carioca Brasil Sul Indústria e Comércio Ltda. Os parlamentares, entre eles Alberto Bejani (PFL) adversário político de Itamar em Juiz de Fora (MG), publicaram anúncio em dois jornais de grande circulação, dois dias antes da publicação do resultado da concorrência, dando o nome do vencedor. O governador ficou sabendo da denúncia ontem (14), ao retornar de uma viagem de 10 dias pelos Estados Unidos. Hoje de manhã, reuniu-se por cerca de uma hora com o secretário de Saúde, Armando Costa, e com o superintendente da Fhemig, José Batista Magro Filho, para cobrar explicações. Magro Filho negou a acusação, mas colocou o cargo à disposição de Itamar. De acordo com ele, a empresa escolhida bateu sua única oponente na fase final do processo de licitação - a Maracy Ltda. de Belo Horizonte - porque tinha melhor qualificação. Itamar não quis comentar o assunto, mas seu vice, Newton Cardoso, saiu em defesa do superintendente. "Eram duas empresas concorrendo e, como os próprios deputados de oposição sabiam, apenas uma delas tinha condições de ganhar; não há mistério nenhum", disse. Além da suposta licitação irregular, Magro Filho também é acusado de ter dispensado, recentemente, licitação para compra de fios cirúrgicos para a Fhemig, pagando R$ 629 mil a uma empresa paulista. A alegação para a dispensa foi de que a compra era emergencial. "Acontece que os fios seriam utilizados durante 12 meses, e isso nos convence de que não havia emergência alguma", disse o deputado tucano João Leite, um dos denunciantes. O superintendente, que dará esclarecimentos na Assembléia Legislativa, também teria promovido outra recente licitação, com contrato superfaturado, para compra de hortifrutigranjeiros. Magro Filho, segundo Bejani, estaria ainda utilizando um automóvel Vectra, alugado por R$ 8 mil mensais, deixando um Fiat Palio da frota estadual, ao qual teria direito, na garagem da Fhemig. Outra denúncia: ele estaria recebendo mensalmente R$ 7 mil por "diárias de viagens", valor considerado exorbitante pelos deputados de oposição. Estradas - Em fevereiro, a Procuradoria Estadual de Defesa do Patrimônio Público, mesma instituição que instaurou o inquérito de hoje, havia aberto outros dois processos de investigação, ambos motivados por representações do deputado estadual Amílcar Martins (PSDB) e ainda em curso. Um deles é relativo ao custo da publicidade feita por Itamar Franco, em horário nobre da tv, para anunciar o fim da moratória, na segunda semana de fevereiro. A peça teria custado mais de R$ 500 mil aos cofres públicos e a empresa que a realizou também não passou por concorrência. O outro é sobre a contratação de empreiteiras sem licitação para obras de recuperação de estradas no Sul de Minas. A alegação do governo também foi de que as obras eram emergenciais por causa das chuvas na região, no início de 2000, mas muitas das estradas encontram-se em bom estado. A denúncia provocou o afastamento do secretário estadual de Obras Públicas, Maurício Guedes, e do diretor do Departamento Estadual de Estradas de Rodagem (DER), Antônio Bortoletti, ambos indicados por Newton Cardoso. Uma CPI pode ser montada na Assembléia Legislativa para ampliar as investigações. Antecipando-se a isso, Itamar determinou a formação de uma comissão especial, chefiada pelo desembargador Airton Maia, para apurar o caso. FHC - Integrantes do governo Itamar Franco atribuem a onda de acusações de irregularidades na administração estadual a interesses políticos. Os autores das denúncias estariam preocupados em prejudicar o projeto de Itamar de eleger um grande número de prefeitos, nas eleições deste ano. "Trata-se de um denuncismo com o qual precisamos nos acostumar; a cada hora vai surgir mais uma acusação vazia", disse Newton. O secretário Armando Costa culpa o Palácio do Planalto. "Acho que esta campanha está sendo articulada pelo presidente Fernando Henrique e por pessoas como o Pimenta da Veiga", afirmou.





