Brasília, 16 (AE) - Depois de renegociar a dívida do Estado e decretar o fim de moratória com a União, o governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), esteve hoje em Brasília empenhado em garantir uma reaproximação com o Planalto. Ele participou de uma reunião com o ministro da Saúde, José Serra - elogiado diversas vezes por ele -, pediu verba federal para a ampliação de uma fábrica de remédios no Estado e anunciou seu "total apoio" à luta do governo em defesa dos remédios genéricos. "Acho a ação do Serra contra o aumento dos medicamentos patriótica."
O governador deixou o encontro dizendo contar com total apoio de Serra para dois projetos seus - um para a redução do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) de 18% para 12%, no caso dos remédios genéricos, e outro para a isenção do imposto para os produtos, como segundo passo. Ele negou-se a comentar a possível candidatura de Serra à Presidência em 2002, mas não deixou de fazer críticas ao governo federal. Também atacou o secretário de Comércio dos Estados Unidos, William Daley.
"O secretário Daley precisava, antes, entender as coisas; vai ver que ele não entende as coisas pelo fato de não saber português", ironizou o governador mineiro, referindo-se às críticas de Daley ao processo judicial que suspendeu a participação do consórcio de empresas norte-americanas no conselho administrativo da Companhia Energética de Minas (Cemig).
Em março, Itamar vai proferir palestra no John Hopkins School of Advanced International Studies onde, segundo ele, vai aproveitar para explicar sua posição sobre a Cemig. "Vou perguntar aos norte-americanos se eles permitiriam uma operação dessas em sua pátria."
Itamar voltou a classificar de "brincadeira" o fato de o governo federal insistir na afirmação incluída na mensagem presidencial ao Congresso de que a moratória mineira provocou danos à economia do País. "Isso não ocorreu", garantiu. "O presidente Fernando Henrique Cardoso, apesar de ser sociólogo, foi também ministro da Fazenda", provocou.
Itamar frisou que não viajou para Brasília em missão "política", mas, sim, "técnica". "Eu venho conversar tecnicamente toda vez que estiver em jogo interesses mineiros", afirmou Itamar, que esteve na audiência acompanhado de secretários, parlamentares do PT e do PSDB. Ele comentou que precisará da ajuda federal para a ampliação de uma fábrica de remédios populares, a Fundação Ezequiel Dias, orçada em cerca de R$ 19,5 milhões.
Produção - No encontro com Serra, disse apoiar a tese da ampliação da produção de remédios em laboratórios federais. E afirmou que, como presidente da República, deu o primeiro passo para isso, apresentando o projeto sobre remédios genéricos e determinando o aumento de produção de medicamentos em laboratórios oficiais.
Itamar informou que vai apresentar na próxima reunião do Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) um projeto para que os Estados isentem os remédios genéricos de ICMS. O projeto de diminuição da alíquota de ICMS será encaminhado na segunda-feira à Assembléia Legislativa de Minas Gerais.

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