Itamar é contra apoio a medidas
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segunda-feira, 02 de novembro de 1998
Fábia Prates Agência Folha 
O ex-presidente Itamar Franco, eleito governador de Minas pelo PMDB, deve sugerir ao partido na reunião de terça-feira em Brasília que a sigla não apóie as medidas de ajuste fiscal do governo federal. Ele disse ontem que as medidas vão jogar o país numa recessão. Em outras ocasiões, Itamar havia dito que se as medidas fossem recessivas, ele seria oposição e ainda diria ao partido que nessa condição (recessão), o PMDB não deveria caminhar com o governo Fernando Henrique.
Na reunião de Brasília, ele vai apresentar, por escrito, suas impressões sobre o pacote, mas disse estar predisposto a rever a opinião, caso o partido o convença de que suas impressões são equivocadas. Queremos saber se o PMDB tem alguma informação diferente do que os jornais publicam. Meu trabalho pode ser complementado se eles tiverem informações que eu não tenho.
Ele disse que vai acatar a decisão do partido, mas que como governador de Minas não fará alinhamento automático com o governo federal. Mais uma vez, o ex-presidente afirmou que o PMDB errou ao não ter candidato próprio à Presidência, o que teria influenciado na redução de algumas bancadas. Esse assunto também estará no documento que ele entregará na reunião de terça-feira.
Itamar disse que ficará constrangido ao reencontrar desafetos criados na convenção do partido, quando ele foi derrotado na tentativa de disputar a Presidência. Apesar das críticas à política econômica federal e do discurso oposicionista adotado depois de eleito, Itamar ainda não definiu se oficialmente vai se alinhar à Frente de Governadores de Oposição. Desde a última segunda-feira, ele tem mantido contatos frequentes com o presidente nacional do PT, José Dirceu, mas negou que já tenham discutido o assunto. É muito cedo para falar em bloco A ou bloco B. A primeira coisa que nós temos que fazer é tentar organizar Minas. A gente não pode falar externamente sem antes falar daqui, desconversou.
O ex-presidente afirmou que não foi convidado para entrar na Frente. O assunto oposição deve ser a pauta do encontro que Itamar terá com José Dirceu na quarta-feira pela manhã, também na capital federal. Na oportunidade, ele vai comunicar oficialmente à direção nacional do PT, seu interesse de ter o apoio institucional do partido, inclusive ocupando cargos, em sua administração.
José Dirceu disse na última sexta-feira que ele e Lula apóiam a idéia, mas que a decisão deve ser da direção regional. O PT mineiro vai começar a discutir o convite no próximo dia 6 e oficializa uma posição no final de novembro.
Ontem Itamar disse que não vai demitir funcionários para adequar à Lei Camata - que estipula o limite de 60% da receita para gastos com funcionalismo -, o que está previsto nas medidas de ajuste. Uma alternativa que pode ser avaliada, segundo ele, é extinguir alguns cargos de confiança. Minas gasta mais de 70% com o pagamento do funcionalismo. Terça-feira seu ex-ministro e amigo pessoal Henrique Hargreaves, coordenador da equipe de transição, se reúne com o governador Eduardo Azeredo (PSDB) para começar a discutir o processo de transferência. Itamar disse que quer representantes seus em todas as secretarias.


