Brasília, 10 (AE) - Oposicionistas do PMDB, liderados pelo governador mineiro, Itamar Franco, e o PPS do ex-ministro da Fazenda Ciro Gomes articulam o surgimento de um partido de centro-esquerda nos próximos meses.
O novo partido também deverá aglutinar os políticos insatisfeitos em outras legendas de centro-esquerda. O objetivo é que o partido esteja montado até setembro para poder participar das eleições municipais de 2000.
A articulação da nova legenda está sendo mantida em segredo. O núcleo deverá sair do PMDB de Minas Gerais. Com o agravamento da crise econômica e o afastamento político de Itamar do presidente Fernando Henrique Cardoso, instalou-se um grande desconforto político dentro do PMDB. Desde que foi vetado para ser candidato a presidente pelo partido, Itamar perdeu a confiança de que os projetos políticos pessoais serão acolhidos dentro do PMDB. Por outro lado, os governistas do partido também não têm na figura do governador mineiro a segurança necessária para que ele possa implementar o projeto de poder do PMDB.
Essas divergências deverão ficar claras logo depois do dia 22, quando os 27 senadores do partido irão ter um encontro em Brasília com Itamar. Como o governador deverá radicalizar a posição política, colocando-se em situação de oposição ao governo federal, a solução natural será a saída do governador mineiro do partido. Com esta postura, Itamar pretende sair como "vítima" do episódio e acabar levando um bom número de deputados federais não só do PMDB mineiro, mas como de vários partidos que apoiam o governo dele.
A idéia é que o novo partido comece com um número significativo de parlamentares. Para ele ter um porte médio, a expectativa é que consiga pelo menos 30 deputados federais e cinco senadores. De Minas Gerais, iriam os senadores José Alencar (PMDB) e Arlindo Porto (PTB). Também devem entrar na nova legenda os senadores Roberto Requião (PMDB-PR), que anda insatisfeito com o partido, e Roberto Freire (PE), presidente nacional do PPS.
A articulação dessa legenda começou a ser feita há dois anos. Mas acabou não dando certo porque o prazo para filiações partidárias com validade para as eleições de 1998 terminava em outubro de 1997. "Antes das eleições, chegamos a conversar com Itamar Franco, mas o prazo para articulação do partido era muito apertado", lembra Freire.
O assunto será discutido na próxima reunião da Executiva Nacional do PPS, que deverá ocorrer em março. "Com o realinhamento político que está acontecendo, é possível você criar de imediato um partido de porte médio", avalia Freire. "Isso iria acontecer mais dia, menos dia", completa. Mas, segundo ele, a crise econômica acabou ajudando na criação dessa nova legenda, que deverá contar até com políticos do PT. "É importante fazer este movimento da esquerda democrática", observa o senador pernambucano.
Entre os políticos mineiros, a nova legenda é dada como certa. "Queremos apresentar uma linha social, mas com desenvolvimento", explica o ex-deputado Israel Pinheiro Filho (PTB-MG), um dos articuladores do novo partido. Depois de criado
a expectativa é que a nova sigla atraia políticos como os senadores Ronaldo Cunha Lima (PMDB-PB) e Pedro Simon (PMDB-RS). "Só participarei do novo partido se for uma decisão de todo o PMDB do Rio Grande do Sul", pondera Simon, sem descartar a nova sigla. "Mas é evidente o número de políticos insatisfeitos nos atuais partidos de centro-esquerda; daria para lotar um estádio de futebol", reconhece o senador gaúcho.

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