Rio, 30 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco, afirmou hoje que vai recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF), se necessário, para evitar a privatização ou a cisão de Furnas Centrais Elétricas, medidas que considera ilegais e inconstitucionais. "Nossas armas são as da legalidade
da soberania e a certeza, se for necessário, de irmos até o Supremo Tribunal Federal, porque Minas vai até o fim nessa luta, sempre no campo jurídico", disse Itamar, que participou, hoje à tarde, de ato político contra a privatização de Furnas no Clube de Engenharia do Rio.
O governador de Minas apresentou documento preparado por uma comissão de juristas, integrada pelo ex-advogado-geral da União José de Castro, que aponta a suposta ilegalidade da venda de Furnas. "O Estado de Minas tem de ser ouvido sobre o uso das águas, que é um bem difuso e não pode ser alienado", afirmou.
Durante o encontro, o secretário de Energia do Estado do Rio, Wagner Victer, disse que a posição do governador Anthony Garotinho (PDT) também é contrária à privatização de Furnas, empresa a qual Itamar referiu-se como "filha da Cemig". Segundo o governador de Minas, os exercícios militares programados para a sede de Passos (MG) não têm por objetivo romper a barragem da estação. "É um engano pensar isso."
Cemig - Itamar disse que pretende recomprar as ações da Cemig vendidas a três grupos privados (Opportunity, AES e Southern). Mas, segundo ele, no momento o Estado não tem condições financeiras para efetuar a eventual negociação. "Se tivesse eu dinheiro, tentaria reaver estas ações", disse o governador.
Segundo ele, este será um passo "futuro", porque agora Minas tem outras prioridades econômicas e sociais. O governador convocou assembléia da Cemig para o dia 7 de outubro. Nesta reunião, o Estado, como acionista majoritário da companhia, pretende destituir três dos 11 diretores da Cemig que representam os grupos privados.

mockup