Itamar diz que governo não tem obrigação de pagar eurobônus por Minas
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quarta-feira, 26 de janeiro de 2000
Por Gustavo Alves, Lu Aiko e Renato Andrade 
Rio, 26 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (sem partido), disse hoje que o governo federal não tem obrigação de pagar os eurobônus no lugar do Estado. "O Planalto não tem de pagar nada, porque os eurobônus, lançados para captar recursos externos, não têm o aval da União", argumentou, adiantando que será "muito difícil" Minas saldar a dívida de US$ 108 milhões em eurobônus que vence no dia 10. "Mas se o governo quer fazer mais um favor ao sistema financeiro, tudo bem", ironizou. Itamar também acusou o governo federal de dificultar o acordo para a renegociação da dívida de seu Estado.
Assessores da área econômica concordam com a tese do governador. Segundo informam, o governo não tem mesmo obrigação de honrar os dólares em eurobônus emitidos por Minas. Mesmo assim, no ano passado, o Planalto ajudou o Estado a quitar a primeira parcela do empréstimo. O País acabara de mudar sua política cambial, estava preocupado com uma crise internacional e um eventual calote por parte de uma unidade da Federação enfraqueceria ainda mais a credibilidade do Brasil diante dos investidores.
Esses mesmos assessores comentam que, neste ano, o clima é totalmente diferente. Apesar das especulações de que Minas não teria como pagar a dívida, auxiliares do ministro Pedro Malan negam ter recebido informação a respeito do assunto. O próprio governo mineiro voltou a negar, na terça-feira, que tivesse tomado alguma decisão sobre a questão.
No Rio, Itamar acusou a imprensa de interessar-se pelo caso porque a operação de lançamento dos títulos, em 1994, foi coordenada pelo Banco Matrix. Na época, a instituição era dirigida pelo ex-ministro das Comunicações Luiz Carlos Mendonça de Barros. Sem citar o nome do ex-ministro, ele afirmou que Mendonça ainda é uma pessoa "de grande influência no governo federal". Apesar de lançar tais suspeitas, o governador não mostrou interesse em investigar se houve alguma irregularidade na operação do lançamento dos eurobônus. "E adianta?", questionou.
Para justificar sua descrença nas investigações, ele reclamou da imprensa, que acusou de estar ligada ao Planalto para fazer campanha contra a oposição. "A imprensa fala o que quer e mente o que quer."


