Itamar diz que apoiará afastamento de FHC contra parlamentarismo
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sexta-feira, 17 de dezembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio, 17 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), ameaçou hoje apoiar o afastamento do presidente Fernando Henrique Cardoso do cargo se o governo insistir em instituir o parlamentarismo no Brasil a partir de 2003, o que chamou de golpe. Itamar se disse parlamentarista, mas atacou a proposta do secretário-geral da Presidência, Aloysio Nunes Ferreira, de mudar o sistema já para o próximo período presidencial. O governador abordou o assunto ao responder ao general da reserva Hélio Lemos que, em debate no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura, pedira a saída imediata do presidente.
"Respeito-o como grande patriota, mais do que ninguém o senhor tem o direito de desejar isso", disse o governador ao militar, que integrou o Serviço Nacional de Informações na ditadura e é do Movimento Nativista, organização nacionalista de direita. "Começa a se levantar neste País, como um golpe, o parlamentarismo, que querem aplicar através do Congresso. Aí, sim, general, se pretenderem fazer isso, estarei ao lado do senhor."
O governador, porém, deixou claro que essa não é a sua posição agora. "Prefiro ouvir (a proposta de afastamento imediato) e calar", disse. "Porque qualquer coisa que eu diga aqui, não tenha dúvida, dirão que, com o senhor, estou sublevando o País." Os cerca de 50 presentes ao encontro, em boa parte oficiais da reserva das Forças Armadas, aplaudiram o governador em vários momentos. Itamar criticou o que chamou de "submissão" do governo ao Fundo Monetário Internacional (FMI) e criticou a privatização do setor elétrico, além de repetir ataques ao PMDB. "O professor Cardoso vai ter uma surpresa se esquartejar Furnas", afirmou.
O debate foi promovido pelo Centro Brasileiro de Estudos Estratégicos. Em julho, o Movimento Nativista lançara um manifesto defendendo veladamente a derrubada do presidente Fernando Henrique.
PDT - O presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, atribuiu a "um certo tipo de golpismo" a proposta de instituir o parlamentarismo no Brasil, cujo objetivo seria dar ao presidente Fernando Henrique Cardoso um terceiro mandato. Para Brizola, o governo, ao lançar a proposta, quer garantir a continuidade da "política econômica neoliberal", mas não terá sucesso no Congresso Nacional, que, como o Executivo, está, em sua opinião, "no descrédito". O presidente do PDT disse não acreditar que a iniciativa tenha sucesso no Legislativo.
"Aqueles que ontem nos acusavam de golpistas porque pregávamos a renúncia do presidente como um ato de grandeza são precisamente as mesmas pessoas que defendem o parlamentarismo", ironizou. Brizola disse que, se o parlamentarismo for aprovado, o Brasil poderá cair um estado de "anarquia e inconformismo". "Poderá haver uma reação inorgânica por toda a parte, o País poderá não se conformar, seria um abuso, uma violência, contra os direitos do povo brasileiro", afirmou. O pedetista lembrou que há menos de sete anos houve um plebiscito em que o povo aprovou o presidencialismo.


