Itamar deve intensificar discurso de oposição amanhã
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domingo, 28 de fevereiro de 1999
Por Gerson Camarotti 
Brasília, 01 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), deverá intensificar o discurso de oposição, criticando principalmente a condução da política econômica do governo federal, no encontro que ele terá amanhã (02) com os 26 senadores do partido. "Itamar não está satisfeito com a condução da política econômica do governo, e como homem público, ele irá falar dos problemas de Minas Gerais, mas também dos problemas nacionais", afirmou o senador José Alencar (PMDB-MG).
Ele também deverá fazer um balanço da situação financeira de Minas Gerais e pedirá apoio incondicional da bancada do partido para as reivindicações. Itamar chegou hoje a Brasília, mas, durante todo o dia, evitou dar entrevistas. Provocado por jornalistas sobre quando ele teria um encontro com o presidente Fernando Henrique Cardoso, o governador mineiro afirmou: "A situação é a mesma."
Hoje, o governador aproveitou para almoçar na casa do secretário-chefe da Casa Civil de Minas Gerais, Henrique Hargreaves, ao lado de Alencar. No fim da tarde, ele reuniu-se com o senador Arlindo Porto (PTB-MG), no Hotel Nacional, onde está hospedado, e, depois, recebeu um grupo de advogados da secção de Minas Gerais da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). Amanhã pela manhã, Itamar visitará a senadora Heloísa Helena (PT-AL), antes da reunião com a bancada do PMDB no Senado. Ele irá agradecer por uma poesia que a senadora petista fez para ele.
A expectativa é que o governador mineiro seja mais incisivo ao conversar com os senadores do PMDB. Para alguns interlocutores, Itamar tem reclamado do pouco apoio recebido do partido, em relação àas posições que está tomando em Minas Gerais. "Apesar do PMDB ser da base de sustentação do presidente Fernando Henrique, Itamar precisa de um respaldo da bancada para suas ações", ponderou Alencar.
Entre os interlocutores do governador mineiro, há quem aposte que a intenção de Itamar é causar constrangimento na bancada. Até porque, caso o governador não receba o apoio que está esperando, ele teria a desculpa de sair do PMDB e formar uma nova sigla partidária.
Em relação ao encontro com Fernando Henrique, Alencar não vê importância para que Itamar participe dessa reunião. "Esse encontro é irrelevante", comentou o senador mineiro, refletindo a opinião de Itamar. "O importante é que os problemas nacionais sejam resolvidos e, entre eles, o problema de todos os Estados", ponderou. Itamar também não deve participar do encontro do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT-RS), com Fernando Henrique.
"Afinal, não tem sentido Minas estar acoplada com o Rio Grande do Sul", ponderou o chefe da Representação de Minas em Brasília, Israel Pinheiro.
Para interlocutores mais próximos, Itamar tem dito que irá manter a política de afastamento, cada vez maior, do governo federal. A avaliação política do governador mineiro é que a situação do País tende a piorar nos próximos meses e ele acabará se tornando a principal referência de oposição ao atual governo. Aliás, ele passou a tratar Fernando Henrique como "adversário" e o presidente do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), "inimigo".
Em Minas Gerais, a nova palavra de ordem é "resistência". "Assumiremos o direito de resitência", disse o secretário de Meio Ambiente de Minas Gerais, Tilden Santiago (PT). "Em nenhum momento, ele está temendo qualquer isolamento", completou Santiago. Para o secretário petista, o máximo que pode acontecer é um isolamento temporário. "Mas a crise é tão grave que Itamar acabará recuperando o espaço", avaliou.
Segundo Santiago, a única possibilidade de Itamar voltar a conversar com Fernando Henrique é quando o governo federal acabar com as retaliações em relação a Minas Gerais, incluindo nesse pacote de exigências o fim do bloqueio e a devolução do que foi retido - R$ 144 milhões em repasses federais.


