Itamar defende saída imediata do PMDB do governo federal
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quarta-feira, 07 de abril de 1999
Por João Unes 
Goiânia, 08 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), defendeu hoje, pela primeira vez, a saída imediata do partido da base de sustentação do governo federal. "Se eu fosse dirigente do PMDB, não daria apoio à política econômica e social de Fernando Henrique Cardoso", disse. Segundo ele, o PMDB "erra em dar apoio" ao Palácio do Planalto. "Essa política vai levar o País à recessão."
Itamar disse que os dirigentes do partido precisam fazer um exame de consciência, "sentar-se no chão e olhar para trás, para a história do PMDB". "No futuro, quero ver como certas figuras do partido vão explicar ao povo brasileiro esse apoio ao governo federal." A primeira declaração de Itamar favorável ao rompimento do PMDB com o PSDB e o PFL foi dada após palestra do governador mineiro na Assembléia Legislativa de Goiás, onde falou sobre a necessidade de revisão do pacto federativo. "Oxalá os dirigentes do partido entendam que chegou a hora de olhar para a história do PMDB." Itamar reafirmou que Minas Gerais é credor de mais de R$ 17 bilhões do governo federal e adiantou que designou o vice-governador Newton Cardoso (PMDB) e o secretário da Administração, Alexandre Dupeyrat, para negociar a dívida com os ministros dos Transportes, Eliseu Padilha, e da Previdência Social, Waldeck Ornélas. "A União deve até mais que isso a Minas", afirmou Dupeyrat. O secretário disse que vai a Brasília levar os números que comprovam a dívida, assim que for aceito o pedido de audiência com Ornélas.
Itamar voltou a garantir que não pretende se candidatar à Presidência em 2002 e disse até querer deixar a política, depois de concluir o mandato no governo. "Quero terminar minha vida pública e ir viver em Ana Capri, na Itália", afirmou. "Li sobre esse lugar no livro Saint Michel e decidi que deveria passar um tempo por lá." Durante a estada de dois dias em Goiânia, Itamar recebeu a visita do governador Marconi Perillo (PSDB), no Castros Park Hotel, onde ficou hospedada a comitiva mineira. "Fiquei honrado com a visita e o cavalheirismo de Marconi", explicou.
Itamar criticou o presidente do Banco Central (BC), Armínio Fraga. "Imagine se eu coloco no BC um homem que representa o capital especulativo internacional", questionou, ao ser perguntado se faria o mesmo em outra possível gestão. "O Congresso ia pedir meu impeachment." O governador mineiro repetiu que "não tem mágoa" do presidente Fernando Henrique Cardoso, mas disse que um dos momentos mais tristes de sua vida foi o ver junto de políticos que apoiaram a ditadura. "O homem que eu escolhi para ser presidente", completou.
Sobre a sucessão, em 1994, Itamar revelou que antes de lançar Fernando Henrique, que tinha pouco mais de 2% nas pesquisas, chegou a convidar o então ministro da Previdência Social, Antônio Britto - que tinha 19% das preferências --, para ser o sucessor. "O Britto disse-me que era muito moço para ser candidato à Presidência e que gostaria antes de governar o seu Estado", contou.
Itamar disse que, um dia, o destino vai colocá-lo a sós com Fernando Henrique e, aí, os dois vão sentar e falar o que acham um do outro. "Ele jogou seu prestígio em Minas para tentar me derrotar", afirmou. "Não há nada que o tempo não apague." O governador mineiro embarcou de Goiânia para o Rio, onde deve dar amanhã (09) uma palestra na Ordem dos Advogados do Brasil (OAB). De lá, o ex-presidente pretende viajar pelo País para divulgar as idéias de revisão do pacto federativo.


