Brasília, 27 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), defendeu hoje a criação de uma comissão parlamentar de inquérito (CPI) para investigar a privatização da empresa Telecomunicações Brasileiras (Telebrás), que está em articulação pela oposição.
Ele disse ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), ser importante que a legenda, integrante da base governista, apóie a iniciativa dos oposicionistas de investigar no Congresso o caso. Temer saiu do encontro na casa do secretário do Gabinete Civil de Minas Gerais, Henrique Hargreaves, dizendo que levaria as posições do governador à cúpula da legenda.
Itamar afirmou ser contra a criação de uma comissão especial da Câmara para investigar o presidente, que aconteceria se Temer aceitasse a denúncia entregue ontem (26) pela oposição - iniciativa que poderia levar a um pedido de impeachment. "Acho que, primeiro, a gente tem de usar o caminho institucional, o Congresso", afirmou. O governador disse ao presidente da Câmara apoiar a realização de eleições gerais - até mesmo para presidente da República - em 2000 e uma consulta aos diretórios de base do PMDB para saber se querem que o partido continue a dar apoio ao governo.
"Vou levar essas sugestões ao presidente Jáder (Barbalho, do Pará, presidente nacional do partido e líder da legenda no Senado) e aos demais membros do partido", disse Temer. "O governador é um membro do PMDB, de modo que as opiniões dele hão de ser levadas em conta."
Itamar rejeitou a alegação de que uma nova CPI, desta vez para investigar fatos envolvendo supostamente o presidente da República, colocará em risco a estabilidade da economia. "Acho que não devemos misturar o problema econômico com a estabilidade (política) do País", criticou. "Isso é uma desculpa que não podemos permitir. (...); senão, teremos uma ordem econômica forte e um governo institucionalmente fraco." O governador também criticou Fernando Henrique por ser contra a CPI, atitude que, para ele, não faz sentido, se não há nada a temer por parte do chefe de Estado.
"O presidente da República deveria ser o primeiro a pedir uma investigação no Congresso Nacional porque já foi parlamentar", disse.
"Então, por que agora não pode aceitar uma investigação do parlamento?" Segundo Itamar, não adianta "um dos elementos do governo" dizer que a denúncia de que o presidente interferiu na privatização da Telebrás é "café requentado". "Mas é café, não importa que esteja requentado, é café." Para o governador de Minas Gerais, há perigo de crise institucional no País.
O governador ironizou declarações do ex-governador de Minas Gerais Eduardo Azeredo (PSDB), de acordo com as quais, se as eleições fossem nos dias atuais, derrotaria Itamar. "Quem sabe, ele não poderia ajudar a propor que tenhamos eleições gerais no ano que vem?" Itamar ressaltou achar a proposta válida. "Porque o argumento de que a Constituição não poder ser modificada... a Constituição, quando interessa, é alterada; temos aí o exemplo do presidente João Goulart (o Jango), que ficou voando e só pôde descer quando decidiram botar o parlamentarismo." O governador afirmou que a sugestão de realização de uma consulta, até janeiro, às bases do PMDB sobre o possível rompimento com o governo tem o objetivo de contornar uma "desculpa" que, afirmou, é apresentada pelos governistas. "A desculpa é de que a maioria parlamentar quer continuar dando apoio a essa política que está prejudicando o País na sua ordem econômica e na sua ordem social", afirmou. "Vamos ouvir nossas bases, os diretórios, para saber se o homem do interior, se a base quer realmente manter esse apoio."
Temer afirmou que até a próxima semana decidirá se acata ou arquiva o pedido de investigação contra o presidente. "Por enquanto, estou examinando", disse. O deputado considerou o quadro político muito preocupante. "Nós temos de sair dessa coisa de crises e mais crises e caminhar para a frente." O presidente da Câmara afirmou ainda que pretende continuar a conversar com Itamar e a apoiar o governo federal.

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