Itamar dá ultimato ao comando do PMDB
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sexta-feira, 19 de novembro de 1999
Por Wilson Tosta 
Rio de Janeiro, 19 (AE) - O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), deixou claro nesta sexta-feira (19) um ultimato ao comando nacional do partido - sai da legenda se não ocorrer, até o início de 2000, uma convenção para reexaminar seu apoio ao governo federal - e conseguiu, em parte, o que queria.
Após duas horas de reunião, o presidente do PMDB, senador Jáder Barbalho, anunciou que leva à executiva nacional, na semana que vem, a idéia de convocar a convenção para perto de 15 de fevereiro. Itamar disse que Jáder defenderá a realização do encontro e a saída da base governista, mas o senador não confirmou essas informações.
"Sou presidente do partido, não o seu dono, não cometeria a indelicadeza com as demais lideranças de, neste momento, fazer um juízo", esquivou-se o presidente do partido. "A questão não é de natureza pessoal, vou ouvir o conjunto do partido."
Jáder voltou a dizer que o PMDB terá candidato próprio a presidente em 2002 e afirmou que Itamar tem todas as credenciais para sê-lo. "Se o partido assim o decidir, estarei nos palanques", afirmou.
O senador afirmou que o governador não abordou a possibilidade de deixar o PMDB, mas um participante da reunião disse que a ameaça ficou implícita na reunião. Segundo esse peemedebista, que participou do encontro no apartamento do senador José Alencar (MG) em Ipanema, Jáder realmente se disse favorável à realização da convenção no início do ano. Na reunião, de acordo com essa testemunha, Itamar cobrou de Jáder e dos outros integrantes do comando nacional do PMDB presentes - o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (SP), e o senador Renan Calheiros - uma definição imediata sobre sua posição em relação ao governo. "O partido tem que se definir", teria dito o governador. O mesmo participante negou, porém, que Jáder tivesse dito que vai defender que o partido deixe de apoiar o governo.
Em entrevista, contudo, Jáder deixou em aberto a possibilidade de romper com o governo e negou que haja oportunismo na possível saída da base de apoio a Fernando Henrique Cardoso, pregada por Itamar. "O governo do presidente não completou nem um ano, oportunismo era da vez passada, deixarmos no final do governo", disse. "Tomar uma decisão agora, em absoluto."
O presidente do PMDB disse que "não existem comprometimentos indissolúveis". "Incondicionalidade se deve ter apenas com a opinião pública", afirmou.
Itamar, que se declarou satisfeito com o resultado do encontro
declarou que deixará o PMDB se o partido insistir em apoiar o governo. "Se o PMDB resolver continuar dando apoio (a FHC), vou para uma vertente e o partido irá para outra, não há como a gente se encontrar." Segundo ele, nesse caso, "o partido perderá mais do que ele, perderá toda a sua luta." O governador disse que a convenção, se realizada, vai ser decisiva mais para o partido do que para ele. "Se o PMDB continuar dando apoio ao presidente da República, acabará como partido", afirmou.
O movimento do comando do PMDB em direção à realização da convenção pregada por Itamar pôs em suspenso a sua possível saída do partido. "A gente continua no PMDB, vamos aguardar", disse ele. "Acho que foi muito significativo para mim quando Jáder afirmou aqui que está de acordo em convocar a convenção e que se deixe a base de apoio ao presidente da República." Itamar tem convite para ingressar no PSB e tinha dito à cúpula socialista que daria uma resposta até o fim de janeiro, o que será retardado se a convenção for na data combinada.
"Nosso prazo (para realizar a convenção) era até janeiro, mas não podíamos mostrar uma instransigência por 20 ou 25 dias", disse o governador.


