Itamar critica "passividade" da oposição diante da crise
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quinta-feira, 04 de fevereiro de 1999
Por Gilse Guedes 
Rio, 04 (AE) - O governador de Minas, Itamar Franco (PMDB), criticou hoje o que considerou passividade da oposição diante da crise financeira e da "ingerência" do Fundo Monetário Internacional na economia do País. "De repente, o Brasil tem, em 30 dias, três presidentes do Banco Central e um que não chegou sequer a tomar posse, e está todo mundo aceitando isso com a maior passividade, a própria oposição, em geral, está aceitando."
Itamar disse que comparecerá à reunião de governadores de oposição amanhã (05) em Porto Alegre atendendo a um apelo do governador do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), e do presidente nacional do PT, deputado José Dirceu (SP). O governador de Minas ressaltou, porém, que não acredita que o encontro vá resultar em algum "fato novo". Também considera inútil um possível encontro com governadores da base de apoio ao governo Fernando Henrique Cardoso, defendido pelo governador de Alagoas, Ronaldo Lessa (PSB), do Rio, Anthony Garotinho (PDT), e do Acre, Jorge Viana (PT).
Itamar participou no Rio do ato "Moratória é um Direito, promovido pela Associação dos Engenheiros da Petrobrás. A entidade propõe que os governadores de oposição promovam uma moratória "ampla, geral e irrestrita" das dívidas interna e externa, outras entidades. Itamar voltou a dizer que não tem recursos para quitar a primeira parcela dos eurobônus que vence no próximo dia 10. Segundo ele, faltam R$ 85 milhões para completar o pagamento. O volume total necessário, em razão da crise cambial, saltou de R$ 100 milhões para R$ 185 milhões, devido à desvalorização do real, ocorrida a partir de janeiro.
O governador alegou que precisa optar entre pagar os eurobônus e cumprir obrigações como pagar funcionários, manter os órgãos de segurança pública e administrar presídios. "Já imaginou soltar 13 mil presos no Palácio do Planalto?", perguntou. "Eu poderia soltá-los lá." Em conversa com o diretor de Comunicação da Aepet, Fernando Siqueira, hoje de manhã, Itamar dissera que Minas estava se esforçando para honrar a parcela dos eurobônus, porque não quer comprometer o nome do País no exterior. Mais tarde, no entanto, o governador disse que ainda faltavam recursos para completar o valor a ser pago.
O secretário estadual da Fazenda de Minas, Alexandre Dupeyrat, disse que estuda a possibilidade de o Estado fazer operações financeiras, entre elas o lançamento de Bônus do Tesouro Estadual, para obter recursos para quitar a parcela da sua dívida externa que vence na próxima semana. Informou, porém, que o contrato de renegociação da dívida com a União impede esse tipo de procedimento. O secretário disse estar estudando o caso para driblar as restrições contratuais.
Itamar voltou a atacar o presidente Fernando Henrique e o ministro das Comunicações, Pimenta da Veiga. "O presidente acha que pode fazer o amesquinhamento de Minas, eu não sei se vai se dar bem", disse o governador. Referindo-se a Pimenta, Itamar declarou: "O ministro tem uma mente curta e é coadjuvante do desastre mineiro."
O governador disse ainda que poderá recorrer ao Supremo Tribunal Federal para pedir ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) a indicar um árbitro para julgar a suspensão dos financiamentos da instituição internacional a Minas Gerais. Ontem (03), Itamar mandou uma carta ao presidente do BID, Enrique Iglesias, pedindo a instauração de um conselho arbitral para examinar a questão, mas até hoje não houve resposta.
Todos os governadores de oposição foram convidados para participar do ato de hoje, mas só Itamar compareceu. Garotinho enviou como representante o secretário de Governo, Fernando William. Na manifestação, foi queimada uma bandeira dos Estados Unidos. Em seu pronunciamento, o governador de Minas prometeu manter a moratória "custe o que custar", até que tenha recursos para regularizar a situação.


